Instaurada a menos de uma semana no Ministério Público (MP), a investigação sobre a possibilidade de haver assessores-fantasmas na Câmara de Vereadores de Londrina rendeu ontem o primeiro processo político na Casa desde a renúncia de Orlando Bonilha (PR), no último dia 20. A Corregedoria da Casa ofereceu à Mesa Executiva uma representação por suposta quebra de decoro contra o vereador afastado Osvaldo Bergamin (PMDB). Dependendo da análise da Procuradoria Jurídica do Legislativo, que ontem mesmo receberia o documento, novo processo pode ser aberto na Comissão de Ética e Decoro, que pode se desenrolar em arquivamento ou abertura de processo de cassação de mandato.
Na representação de três páginas entregue ao presidente da Casa, Sidney de Souza (PTB), o corregedor Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), citou a investigação em curso no MP e as notícias que o caso rendeu na imprensa - referência ao da assessora parlamentar Vanderléia Faria da Mota (exonerada anteontem com mais quatro assessores do gabinete) que estaria desempenhando atividades de cabeleireira supostamente no horário de expediente do Legislativo, inclusive em dias de sessão. O documento da Corregedoria aponta que o fato foi confirmado pela FOLHA, cuja reportagem ''obteve o agendamento de dois atendimentos no salão de beleza da aassessora no período de sessão da Câmara''. Vanderléia disse aos jornalistas, naquele mesmo dia, na casa que funciona como salão, no Jardim Santa Rita 4 (Zona Oeste), que não tinha uma carga horária fixa a cumprir no Legislativo, já que o comércio seria ''um bico'' e que as funções para as quais fora contratada pelo edil seriam ''prioridade''. No dia seguinte, Bergamin a defendeu sustentando que a assessora faz um ''trabalho político'' junto ao eleitorado dele na região.
Conforme a Corregedoria, a própria admissão do vereador afastado de que a assessora ''angariava votos para ele'' já serve para confirmar a ausência da assessora no horário de expediente do Legislativo. ''A gravação (telefônica) constatou que a assessora ganhava da Câmara, mas não trabalhava aqui - isso é falta de decoro do vereador, pois ele tem que ter domínio sobre seus assessores'', alegou o corregedor.
Abertura de eventual processo de cassação, contudo, vai depender dos passos do MP . ''Até o presente momento não há materialidade na representação do corregedor. Seria de bom tom que o MP oficiasse qualquer indicativo contra o Bergamin ou contra sua assessora'', declarou o presidente da Casa.
Bergamin se disse impossibilitado de falar. Seu advogado, João Gomes, afirmou que analisaria hoje o caso. ''A Câmara está apurando, mas precisa ver o contexto e tomar o cuidado para não jogar todo mundo na vala comum e não fazer uma 'caça às bruxas''', concluiu. Vanderléia e mais uma ex-assessora do peemedebista foram intimadas a depor amanhã ao MP.

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