Assessora desconhece fonte de recursos de deputado
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sexta-feira, 30 de junho de 2006
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
A assessora do deputado José Janene, Rosa Alice Valente, não esclareceu ontem ao delegado da Polícia Federal (PF), Gerson Machado, a origem dos recursos utilizados pelo parlamentar para investimentos e compra de bens imóveis. Rosa, o marido dela, o também assessor Meheidin Jenani, e a mulher de Janene, Stael Fernanda, são investigados em um inquérito por suposta lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro. Pela conta do casal de assessores teria passado somente no ano de 2004, cerca de R$ 1,5 milhão.
Após três horas e meia de depoimento na tarde de quinta-feira para esclarecer a movimentação atípica em suas contas bancárias, Rosa prestou declarações ao delegado por mais três horas na manhã de ontem. No novo depoimento, ela foi questionada sobre os oito malotes de documentos apreendidos pela Polícia Federal na casa dos assessores e no escritório político de Janene no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em maio.
''Ela (Rosa) respondeu que a maioria dos bens e documentos quem vai esclarecer sobre isso é o deputado ou a esposa dele, a Stael'', relatou o delegado. O advogado de Rosa, Nivaldo Migliozzi, contestou os questionamentos do delegado. ''Acho que seria desnecessário todo esse questionamento. Os documentos que estão ali mostram as propriedades que ela tem, que a Stael tem, que o Meheidin tem, e as propriedades do deputado'', disse. Sobre a suspeita de incompatibilidade dos vencimentos e os bens dos assessores, o advogado relatou que está sendo feita uma auditoria particular e também uma fiscalização do Ministério da Fazenda.
Machado ainda questionou a assessora o por quê dela ter aberto contas pessoas para movimentar recursos do deputado, em vez de abrir uma conta em nome de Janene e movimentá-la com uma procuração. ''As duas contas foram abertas para movimentar os recursos do deputado porque no ano de 2003 sofreram um assalto a mão armada e não queriam mexer com dinheiro, então ela sugeriu que fossem abertas as contas para poder movimentar. Ela disse que em nenhum momento achou que estava fazendo alguma coisa errada.''
O delegado já solicitou um fluxograma a um perito contábil para visualização dos depositantes nas contas dos três investigados e os beneficários dos cheques.
O depoimento da mulher de Janene, deverá ser agendado assim que as informações bancárias das três contas correntes dela forem encaminhados. ''Ela (Stael) é beneficiária direta de grande parte desses recursos, a propriedade no Royal Golf, algumas propriedades rurais em Faxinal, aqui em Londrina, que foram adquiridos com pagamento de soja, um valor expressivo, ela vai poder explicar'', disse Machado.


