Assessor parlamentar é suspeito de vazar documentos
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quinta-feira, 25 de maio de 2006
Mari Tortato<br>Folhapress 
Curitiba - Cópias de documentos da contabilidade que a Itaipu Binacional enviou à Câmara sob sigilo foram encontradas dentro da mala que a Polícia Federal (PF) apreendeu, terça-feira, quando prendeu o ex-funcionário da empresa Laércio Pedroso, no aeroporto de Curitiba. A reportagem apurou que as suspeitas de vazamento recaem sobre o chefe-de-gabinete do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), Amauri Escudero Martins. O assessor de Hauly havia encontrado Pedroso antes de este ser preso. Escudero não foi detido, mas a PF reteve sua bagagem junto com a mala de Pedroso.
A mala apreendida tinha acabado de passar por despacho no check in da TAM, em nome de Amauri Escudero. O assessor de Hauly se encontrou com Pedroso antes da prisão do ex-funcionário da Itaipu. A Folha de S.Paulo apurou que, em meio aos 64 kg de papéis que Pedroso despachou pelo assessor parlamentar, a PF encontrou pastas de documentos originais que Pedroso é suspeito de retirar da Itaipu quando deixou a empresa, em 1992. À época, o furto foi denunciado à polícia pela direção da binacional.
As cópias de informações recentes da Itaipu encontradas na mala de Pedroso podem render ao assessor de Hauly uma investigação por suspeita de quebra de sigilo funcional. A direção da Itaipu informou que os documentos foram liberados por requisição parlamentar do deputado tucano à mesa diretora da Câmara. A PF diz que Escudero teve acesso a todos eles.
Pedroso e mais cinco suspeitos foram presos temporariamente pela operação Castores, da PF, sob acusação de integrarem um esquema que aplicava golpes em estatais hidrelétricas cobrando supostos resíduos financeiros por serviços dos fornecedores. Os documentos roubados na Itaipu seriam a base para o processo de cobrança. Os detidos temporariamente na operação estão sendo ouvidos em Curitiba, pelo delegado Fernando Franscischini. A movimentação bancária dos últimos cinco anos do assessor comissionado do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) José Roberto Paquier é uma parte do material à espera de análise da equipe de Francischini.
O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) reagiu às suspeitas de vazamento de documento sigiloso por seu assessor afirmando que nenhum documento enviado à Câmara por empresa pública tem conteúdo reservado. Ele também disse depositar inteira confiança no seu chefe-de-gabinete, Amauri Escudero Martins, e defendeu uma devassa na Itaipu. Aqui não vaza nada. Aqui é uma repartição pública federal e todos os meus documentos são públicos. As informações que recebo também são públicas e, portanto, de interesse da imprensa, da sociedade e de quem quiser ver, ouvir e ler no meu gabinete, afirmou.
Hauly disse que, antes de chegar ao seu gabinete, os documentos da Itaipu passaram por três secretarias da Câmara. O deputado disse que a mesa da Câmara pediu ao diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, três cópias de tudo o que foi apreendido com o ex-funcionário da Itaipu Laércio Pedroso: uma para Comissão de Relações Exteriores da Câmara, outra para o Ministério Público Federal e a terceira para o Tribunal de Contas da União. Escudero disse que o sigilo seria um critério apontado pela própria Itaipu e apenas sobre um único documento: a movimentação de pagamentos da empresa. O assessor negou que entregou documentos a Pedroso.##


