Assessor nega que seja 'fantasma' na Câmara
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quinta-feira, 15 de maio de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O assessor parlamentar Salvador Yukuhide Kanehisa disse ontem, em depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que cumpre horário flexível no gabinete da vereadora Sandra Graça (PP). Kanehisa, que não conversou com a imprensa, sustentou que sua função envolve a interatividade com a comunidade nas bases eleitorais, a representação da vereadora em visitas a que não pode comparecer pessoalmente e suporte logístico de segurança quando ela vai a bairros ''mais perigosos''. ''Não tenho controle de frequência'', disse.
A investigação do Gaeco visa apurar se Kanehisa realmente desempenha funções ligadas à Câmara Municipal ou se é um servidor 'fantasma', conforme denúncia veiculada pela imprensa.
Apesar de receber R$ 1.500 mensais, o servidor - que se disse formado em Matemática, Economia e Administração de Empresas - possui uma academia de artes marciais e uma marcenaria. Ao promotor Cláudio Esteves, ele alegou que presta expediente na academia somente à noite e nos finais de semana, e que também não participa do dia-a-dia da marcenaria, já que tem três sócios no estabelecimento. Sobre uma viagem de três semanas ao Japão, em 2005, citada na investigação, ele justificou que estava em período de férias.
Um dado curioso do depoimento é o reconhecimento de que sua marcenaria construiu um balcão de fórmica usado no plenário da Câmara Municipal. Segundo ele, o serviço foi feito de forma terceirizada para a empresa que venceu licitação no Legislativo para prestar o serviço. ''A empresa (vencedora da concorrência) não tem marcenaria em Londrina'', justificou. Ele negou, porém, que tenha exercido influência na escolha da empresa.
O promotor afirmou que vai ouvir mais pessoas durante a investigação e não quis avaliar o conteúdo do depoimento de Kanehisa. A vereadora Sandra Graça, que também deverá ser ouvida, disse à FOLHA que seu assessor é um profissional qualificado que presta serviços efetivos à comunidade.
Sigilo
Os procedimentos investigatórios sobre eventual servidor ''fantasma'' no gabinete do vereador afastado, Osvaldo Bergamin (PMDB) e de ''racha'' de salário de servidor comissionado do vereador Paulo Arildo (PSDB) estão passando por análise da auditoria do Gaeco. Os dados dos sigilos bancários dos envolvidos já chegaram à promotoria e devem embasar os próximos passos das investigações. Arildo disponibilizou suas informações bancárias espontaneamente.
211 servidores
Para manter a Câmara Municipal em funcionamento, os 18 vereadores londrinenses utilizam um quadro total de 211 servidores - média de 11,72 por gabinete. A informação foi repassada pelo próprio Legislativo, em ofício encaminhado ontem ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O documento foi anexado ao inquérito que investiga denúncias de servidores fantasmas na Câmara.
O quadro total do Legislativo inclui 85 servidores comissionados, 46 concursados, 18 cedidos por outros órgãos da administração, 30 terceirizados, 24 estagiários e oito ligados à Epesmel. O promotor Cláudio Esteves foi cauteloso ao comentar a listagem. ''Isso não quer dizer que está tudo irregular, o que vamos fazer é analisar os dados para saber o que é lícito e o que não é. A lista vai auxiliar a investigação''.


