Assessor diz que pagou contas de deputado
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quinta-feira, 29 de junho de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
O assessor parlamentar Meheidin Hussein Jenani, prestou depoimento durante quatro horas e deixou a sede da superintendência da Polícia Federal sem falar com a imprensa.
Segundo o delegado, no depoimento, Jenani reconheceu a movimentação de valores próximos a R$ 300 mil em suas contas bancárias e disse que o dinheiro pertenceu a seu primo e patrão, José Janene. A PF trabalha com dados bancários indicando que Meheidin movimentou valores 300 vezes superiores aos seus vencimentos.
''Ele é uma pessoa da confiança do deputado e fez aquisições de soja e milho seguindo suas recomendações. O dinheiro foi repassado por Janene e usado nas operações indicadas por ele'', disse o advogado de Meheidin, Nivaldo Migliozzi. O advogado não soube explicar porque o assessor não declarou os recursos à Receita Federal.
No depoimento, Meheidin Jenani disse desconhecer a origem dos recursos repassados pelo deputado - declaração encarada com reserva pelo delegado Gerson Machado, que preside o inquérito. Agentes da PF estão analisando a movimentação bancária do assessor para conferir se os valores recebidos são compatíveis com as compras de grãos - cujas notas fiscais estão anexadas ao inquérito. O delegado Machado revelou que existem indícios que o dinheiro obtido com a venda da soja teria sido usado para compra de uma propriedade rural de 10 alqueires em Faxinal. ''Nós apreendemos documentos de uma off-shore que repassou recursos para Meheidin e o próprio representante da empresa anotou que o destinatário do dinheiro era ele. Se ele falou que não sabe...'', disse o delegado, de forma inconclusa.
Os valores repassados pela empresa - que opera em São Paulo e Panamá - chegariam a R$ 100 mil. Os outros R$ 200 mil recebidos por Meheidin teriam sido depositados por uma empresa de equipamentos médicos e diversas pequenas operações isoladas.
A esposa do deputado José Janene, Stael Fernanda, também acusada de lavagem de dinheiro, será intimada a depor após o encerramento do laudo pericial dos objetos e documentos apreendidos em diversos endereços ligados a Janene durante operação autorizada pela Justiça. Pelas contas de Stael Fernanda, teriam circulado de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões.


