Curitiba - O chefe de gabinete do deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB/PR), Amauri Escudero Martins, prestou depoimento ontem na Superintendência da Polícia Federal (PF) do Paraná, em Curitiba, após mandado de prisão temporária expedido na última sexta-feira pela juíza Anne Karina Stipp Amador Costa, da 1 Vara Federal Criminal. O depoimento começou por volta das 8 horas e às 15 horas. Em seguida, Escudero foi submetido a um exame de corpo delito, no Instituto Médico Legal (IML), e liberado pela PF.
Em entrevista coletiva no final da tarde, o superintendente da PF, Jaber Saadi, confirmou que tanto Escudero quanto Hauly tiveram ''acesso a informações que não poderiam''. Saadi se refere a documentos da Itaipu Binacional encontrados dentro da mala vermelha entregue pelo ex-funcionário da hidrelétrica Laércio Pedroso ao chefe de gabinete de Hauly. A Folha apurou que Escudero deverá ser indiciado pelos crimes de divulgação de documentos sigilosos e de interceptações telefônicas.
No último dia 23, no Aeroporto Internacional Afonso Pena, na Região Metropolitana de Curitiba, Escudero levou até Brasília a mala entregue por Pedroso, acusado de ser o ''cabeça'' de um esquema de fraude que lesava seis empresas públicas, entre elas a própria Itaipu. Pedroso foi preso no aeroporto e Escudero somente soube da apreensão da mala quando desembarcou em Brasília.
A justificativa de Escudeiro é de que ele estaria levando documentos relacionados à hidrelétrica aos membros da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (Credn) da Câmara Federal, responsável por investigar um suposto caixa 2 mantido pelos diretores da Itaipu. Pedroso, que seria a principal testemunha do caso, estava indo a Brasília para prestar depoimento à comissão. Os depoimentos foram cancelados após a prisão de Pedroso.
''Nós vamos ter acesso aos documentos apreendidos e vamos remarcar uma data para que o Laércio possa prestar seu depoimento. Antes queríamos abrir uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) ao final do depoimento dele, mas agora vamos pedir já uma CPI. Provas de caixa 2 nós não temos, mas caixa preta tem'', afirmou Escudero ontem em entrevista coletiva.
Uma representação do PT na Câmara Federal, aberta no último dia 18, já solicitava a instauração de processo no Conselho de Ética da Casa porque Hauly teria violado a confidencialidade de documentos sobre a Itaipu. ''Estamos interessados na questão desde 2001, quando apresentamos um projeto de lei para que a Itaipu tivesse um controle externo. Não são documentos sigilosos'', nega Escudero.
A prisão temporária foi solicitada pelo delegado à juíza depois que Escudero não compareceu à primeira intimação da PF para depor, na manhã da última sexta-feira. Escudero afirmou que não foi ao depoimento porque não teria recebido a intimação, enviada na quarta-feira pela PF ao presidente da Câmara Federal, Aldo Rebelo (PCdoB). A presidência da Câmara Federal, no entanto, avisou a PF de que Escudero estaria criando desculpas, como reuniões ou viagens, para não receber a intimação.
A assessoria da Justiça Federal (JF) informou que o pedido de prisão chegou à 1 Vara Federal Criminal por volta das 16 horas de sexta-feira. A juíza, ainda segundo a assessoria da JF, solicitou um parecer do Ministério Público Federal sobre o caso. No mandado de prisão, a juíza observou que caberia à autoridade policial determinar a liberação de Escudero, caso o depoimento tivesse sido suficiente ao inquérito.
''Ele deu as informações necessárias para que as investigações prossigam'', resumiu ontem o superintendente, enfatizando que a PF não deve divulgar mais informações sobre o caso até que as investigações sejam finalizadas. Outras cinco pessoas foram presas na operação. Um ex-funcionário da Itaipu no Paraguai continua foragido.

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