Assessor de Lula processa Soraya
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segunda-feira, 31 de outubro de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o londrinense Gilberto Carvalho, ajuizou ontem uma queixa-crime contra a ex-assessora financeira da campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT), Soraya Garcia.
Segundo o advogado de Carvalho, Omar Badauy, ao envolver seu cliente nas denúncias de irregularidades na campanha, Soraya teria cometido o crime de difamação. ''Ela envolveu o senhor Gilberto nessa história de caixa 2 por diversas vezes. Ela faz referências que ele teria participado desse suprimento de recursos'', justificou Badauy. ''Por ora pedimos a responsabilização criminal pelo crime de difamação. O dano moral será apurado em ação cível, mas essa é a responsabilização criminal por ofensa à honra dele. Isso é o que ela praticou e está previsto na lei penal'', concluiu.
Soraya citou Carvalho no depoimento prestado à Polícia Federal (PF) no dia 1º de agosto, citação que rendeu reportagens na imprensa. No trecho em que relata ''fontes de recursos'', ela cita algumas pessoas e complementa: ''Ouviu falar ainda que Gilberto Carvalho, secretário do presidente, é quem resolvia os problemas''.
Em entrevista concedida ontem à Folha, Soraya confirmou as declarações dadas à PF. Ela relatou que por três vezes teria presenciado um coordenador da campanha pedir para outro coordenador ''ligar para o Gilberto para ver se ele resolvia o problema financeiro''. Soraya disse que com a queixa-crime ajuizada pelo chefe-de-gabinete de Lula, deverá insistir no pedido de acareação com o ex-coordenador da campanha Augusto Ermétio Dias Júnior. ''Vou poder requerer acareação com o Augusto. Eu não estou nem aí para o Gilberto Carvalho. Eu só contei o que eu vi e ouvi'', finalizou.
Para o advogado de Soraya, João Graça, a medida de Carvalho vai ajudá-la a comprovar as denúncias. ''Acho ótimo porque agora ela tem direito de requerer provas no processo para poder provar o que diz. Se ela citou o nome dele (Carvalho) é porque obviamente ela sabe o que faz. Em todos os momentos eu deixei claro que ela assumiria os riscos sobre o que ela estava fazendo. Ela está consciente disso e está muito tranquila'', disse. ''Tenho convicção que essa medida dentro do processo vai propiciar, além da possibilidade dela se defender, ela vai poder produzir as provas para mostrar a verdade'', concluiu. A queixa-crime foi distribuída para a 3 Vara Criminal.


