Assessor de Janene denuncia Canziani
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de outubro de 1998
Patrícia Zanin 
A Justiça Eleitoral de Londrina já mandou intimar o deputado federal eleito Alex Canziani (PTB) para que ele encaminhe ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sua defesa sobre a denúncia de abuso de poder econômico e político. A acusação contra Canziani foi feita na véspera da eleição por Joel Garcia, assessor do deputado federal José Janene (PPB). Ele pede a suspensão dos direitos políticos de Canziani por três anos. A denúncia foi repassada ao TRE via fax do escritório político de Janene. O corregedor eleitoral Altair Patitucci determinou à Justiça de Londrina que intime Canziani.
De acordo com a juíza Lídia Maejima, que coordenou as eleições em Londrina, o deputado federal eleito terá de apresentar sua defesa por escrito ao TRE. Ela informou que não teve acesso ao processo porque ele estaria correndo em segredo de Justiça. Maejima informou que recebeu apenas uma carta de ordem. Nossa missão aqui foi só determinar a intimação, informou.
Por motivo de viagem de Canziani, o oficial de Justiça estaria encontrando dificuldade para notificá-lo. Ontem o deputado federal eleito estava em Londrina, mas não foi localizado pela Folha. A reportagem ligou durante toda a tarde e no início da noite para seu telefone celular, que estava desligado. Sua assessoria informou que Canziani desconhece o processo.
A reportagem também ligou para o escritório de Janene em Londrina para pedir o telefone do autor da denúncia contra Canziani e questionou se Joel Garcia era assessor do deputado. A resposta foi positiva. Já o deputado informou que Garcia tinha se desligado do trabalho no último dia 10.
Apesar de Garcia ter usado o fax do escritório político do deputado para fazer a denúncia, o pepebista disse ter ficado sabendo somente ontem e negou que tenha usado o assessor por falta de coragem em denunciar o concorrente. Não uso subterfúgios e não tenho absolutamente nada com isso, afirmou. Janene alegou ter sido pego de surpresa com a denúncia. Tenho boa amizade com o Alex e não tive nenhum problema com ele durante a campanha.
Ele disse que ainda não tinha conversado com Garcia. Vou procurá-lo. Minutos depois, a reportagem falou com Garcia, que alegou ter pedido desculpas ao deputado por ter usado seu fax sem comunicá-lo. Tinha liberdade no escritório, argumentou. Ele disse que não é mais assessor de Janene e resolveu fazer a denúncia contra Canziani porque a campanha dele estava muito dispendiosa.
A denúncia, de 59 páginas incluindo fotos, mostrou Canziani participando de solenidades oficiais, o que, segundo Garcia, serviu para beneficiá-lo como candidato. Ele usou a máquina para se promover, afirmou. Ele também acusou o deputado federal eleito de ter gasto excessivamente durante a campanha, com realização de 30 jantares numa casa da cidade e a contratação de 500 cabos eleitorais. No dia seguinte à eleição, Alex Canziani declarou à Folha não saber quanto gastou na campanha.
Sobre o fato de Garcia ter feito a denúncia somente na véspera, ele alegou que estava juntando material. Se não fizesse antes da eleição não teria mais validade, argumentou o assessor. Ele disse ter estranhado o vazamento da informação. Soube que o processo correria em segredo de Justiça.
Além de assessoria política, Garcia trabalha com vendas e foi policial. Ele garante ter montado sozinho o processo. Um advogado respeitado consultado pela Folha acredita que alguém não habilitado, como é o caso de Garcia, não tem condições para elaborar a denúncia. Um processo como esse não pode ser feito por um leigo. Necessita de técnicas de conhecimento dos profissionais, explicou.
O presidente estadual do PTB, Emerson Palmieri, ficou sabendo da denúncia de abuso de poder político e econômico pela Folha. Não vejo motivo para esta denúncia. O Alex fez um trabalho tranquilo e não abusou, defendeu Palmieri.


