Assessor de deputado não foi notificado pela polícia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de maio de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O chefe de gabinete do deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB/PR), Amauri Escudeiro Martins, não prestou depoimento ontem pela manhã na Superintendência da Polícia Federal (PF) do Paraná, em Curitiba. A informação de que Escudeiro falaria com o delegado à frente da ''Operação Castores'', Fernando Destito Francischini, era da própria assessoria da PF. Por volta das 17 horas de ontem, somente os advogados de Escudeiro foram até a superintendência conversar com o delegado, mas a assessoria não revelou o resultado do encontro, e nem se haverá uma nova intimação ao assessor parlamentar.
De passagem por Curitiba, Escudeiro disse à Folha, no entanto, que não recebeu qualquer notificação e que somente soube do depoimento que deveria prestar à PF através da imprensa. Questionado sobre seu interesse em conversar com o delegado independente da notificação, Escudeiro afirmou que prefere aguardar o ''rito legal''. A assessoria da PF disse que ele foi comunicado pelo presidente da Câmara Federal, Aldo Rebelo (PCdoB), na quarta-feira, logo quando foi iniciada a operação.
A assessoria da presidência da Câmara Federal confirmou que a Casa recebeu o documento da PF, mas que até agora Escudeiro não foi encontrado para receber a intimação. As justificativas eram de que o assessor parlamentar estaria em reuniões ou em viagens. A assessoria acrescentou que a Casa irá fazer uma nova tentativa a partir da próxima segunda-feira.
O chefe de gabinete se tornou alvo da PF depois que uma filmagem no Aeroporto Afonso Pena, na Região Metropolitana de Curitiba, revelou que Escudeiro recebeu uma mala vermelha do ex-funcionário da Itaipu Binacional Laércio Pedroso, preso no próprio aeroporto pela PF. Pedroso é acusado de ser a ''cabeça'' de um esquema de corrupção que lesava empresas públicas, entre elas a Itaipu.
Escudeiro disse que somente soube da apreensão da mala quando desembarcou em Brasília. Ele afirma que sua bagagem pessoal também foi apreendida. A assessoria da PF ressaltou, no entanto, que até o final das investigações não será divulgada qualquer informação a respeito do conteúdo da mala.
A ''Operação Castores'' já resultou na prisão de seis pessoas. As investigações da PF iniciaram em agosto do ano passado a partir de uma representação criminal apresentada pela diretoria jurídica da Itaipu. O ex-funcionário paraguaio da Itaipu, Michael Popow Nosikow, continua foragido.


