Salvador - O assessor da Secretaria de Segurança Pública da Bahia Alan Farias, 29, acusado de ser um dos responsáveis pelas escutas telefônicas ilegais no Estado, afirmou ontem, ao chegar ao prédio da Polícia Federal em Salvador, que estava disposto a ''abrir a caixa-preta'' do caso dos grampos.
De terno preto e óculos escuros, Farias, formado em artes plásticas com ênfase em computação gráfica, estava acompanhado de um advogado. ''Vou contar todo o modus operandi do grampo, estou disposto a abrir a caixa-preta'', disse ele aos jornalistas. O assessor, no entanto, se recusou a entrar em detalhes sobre o conteúdo do que chamou de ''caixa-preta''. ''Isso só vou falar para o delegado.''
Farias, segundo o delegado Gesival Gomes de Souza, da PF, era quem operava a central montada dentro da Polícia Civil para realizar os grampos criminosos. Enquanto aguardava o início de seu depoimento, Farias encontrou-se com o delegado Valdir Barbosa, de quem foi assessor direto na Polícia Civil. Os dois limitaram-se a um aperto de mãos.
O delegado, que na última semana deixou o comando da polícia, estava de terno cinza claro, evitou olhar diretamente para seu ex-subordinado e conversou rapidamente com os jornalistas.
''Não vou falar nada que tenha relação direta com os grampos'', disse ele. ''Mas sei que devo satisfações à sociedade'', disse. O depoimento de Barbosa começou por volta das 15h e não havia terminado até as 19h30 de ontem. Farias falaria em seguida.

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