Tiros desferidos na noite de anteontem em comício do candidato da oposição a prefeito de Cascavel, deputado estadual Edgar Bueno (PDT), um deles no peito de Wilson Betin do Prado, 37 anos, assessor do vereador e candidato a vice-prefeito Leonaldo Paranhos (PMDB), levaram a Coligação Paz e Progresso, de Bueno, a suspender os comícios programados. A suspensão, segundo a campanha, vale enquanto não houver garantias de segurança para os participantes. O episódio conturba a campanha, mas a coligação foi cautelosa na avaliação, sem especular sobre a possibilidade de que ele tenha conotação política.
Wilson Prado sofreu perfuração do pulmão, por uma bala calibre 38 que transfixiou seu peito. Ele está internado na UTI do Hospital Santa Catarina em ‘‘estado estável, mas sob risco’’, de acordo com avaliação feita ontem pelos médicos.
O assessor foi baleado por volta das 21h30, no bairro Brasília (zona norte). Segundo testemunhas, os tiros foram disparados por Deverci Ferreira de Carvalho, 32 anos, o ‘‘Tuta’’. Ele foi preso logo a seguir pela Polícia Militar (PM). Segundo a Polícia, ‘‘Tuta’’ já foi condenado na Justiça por receptação e tentativa de homicídio. Ele nega a autoria do disparo e de outros três feitos para o alto. No início da noite, a Polícia Civil recebeu a informação de que o autor dos tiros poderia ter sido um menor, que acompanhava ‘‘Tuta’’.
Os disparos foram feitos a 30 metros do palanque, afugentando parte das aproximadamente 800 pessoas que acompanhavam o comício. Mesmo assim, enquanto Wilson Prado era levado para o hospital, Edgar Bueno fez seu discurso, demonstrando abalo emocional.
Ontem, o candidato e Leonaldo Paranhos, além de dirigentes de partidos da coligação, convocaram a imprensa para comunicar a suspensão dos comícios programados – um a cada noite. ‘‘Eles estão suspensos até quando as autoridades nos dêem garantia de que as pessoas possam ir a comícios com segurança’’, disse Bueno.
Ele também informou que os fatos estavam sendo comunicados à Secretaria de Estado de Segurança Pública e ao Ministério Público, a quem a campanha pediu ‘‘providências legais e urgentes’’. À Folha, Edgar Bueno disse que, por enquanto, não tem motivos para vincular o episódio diretamente à disputa eleitoral. ‘‘Não podemos fazer interpretação antes que a Polícia conclua as investigações’’, afirmou. Para Bueno, o ‘‘grande perdedor’’ com o episódio ‘‘é a paz e a democracia que devem marcar o processo eleitoral’’. Leonaldo Paranhos disse que, no momento, estava preocupado com o estado de saúde de seu assessor.
O candidato situacionista a prefeito, deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PTB), preferiu não se aprofundar em comentários. Ele disse apenas ‘‘lamentar o episódio’’ e que condena ‘‘todo tipo de violência’’.
O prefeito Salazar Barreiros (PPB), que articulou o lançamento da candidatura de Tiago e é ferrenho adversário de Edgar Bueno, afirmou que ‘‘o fato coloca Cascavel numa situação constrangedora’’. Mas ele não acredita que o tiroteio deveria ter motivado a suspensão dos comícios. ‘‘Daí a querer dizer que Cascavel não tem condições de realizar comícios é desmerecer a cidade’’, criticou o prefeito.

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