Assessor de Alvaro se coloca à disposição da CPI
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segunda-feira, 12 de maio de 2008
Gabriela Guerreiro<BR>Folhapress 
Brasília - O servidor público André Fernandes, assessor do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), se colocou à disposição da CPI dos Cartões Corporativos para prestar depoimento amanhã. Fernandes é acusado de ter recebido o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), por e-mail, do secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, que ontem entregou o cargo (leia texto nesta página).
Alvaro disse que seu funcionário está ''à disposição'' da CPI para esclarecer tudo o que for necessário, uma vez que o senador não considera crime receber um documento sigiloso. O tucano disse que não cometeu nenhuma irregularidade ao repassar o dossiê à imprensa depois de recebê-lo de seu assessor. ''O vazamento ocorre na origem, lá no Palácio do Planalto, não aqui no destino. Me considero alguém que denuncia o crime, a falcatrua. Adotei a forma mais adequada para a denúncia, cabe a mim decidir como denunciar'', afirmou.
Alvaro disse que ''uma coisa é divulgar o dossiê, outra é vazá-lo'' - já que o documento foi elaborado pelo governo antes de ser encaminhado ao seu gabinete. O senador considera, porém, que Aparecido é apenas uma parte da estrutura montada pelo Palácio do Planalto para que o dossiê anti-FHC fosse elaborado politicamente para atingir o ex-presidente.
''O nome mais importante não é do Aparecido, mas de que quem fez o dossiê. A pergunta é outra: quem fez e quem mandou fazer o dossiê'', enfatizou. O tucano admitiu saber que o seu assessor tinha recebido o documento, mas reiterou que manteve o nome de Aparecido em segredo para preservar o sigilo da fonte que vazou o documento para o seu gabinete. ''Claro que eu sabia (do dossiê), mas meu assessor me informou no corredor, não em meu gabinete. Eu pedi que ele (Fernandes) me mostrasse a peça do crime.''
Alvaro disse esperar que, assim como o seu assessor, Aparecido também compareça à CPI para explicar a montagem do dossiê.
Votações
A presidente da CPI dos Cartões, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), prometeu colocar em votação hoje os requerimentos de convocação de Fernandes e Aparecido. Apesar do assessor de Alvaro ter se mostrado à disposição para depor esta semana, os governistas trabalham para adiar o depoimento do secretário da Casa Civil. O Palácio do Planalto teme que o servidor possa revelar detalhes da montagem do dossiê se for pressionado pela oposição -especialmente por ser vinculado ao ex-ministro José Dirceu. O esperado ''fogo amigo'' no depoimento preocupa os governistas, uma vez que Aparecido não teria o compromisso de fidelidade a Dilma por ser aliado do ex-chefe da Casa Civil.
O servidor também não estaria disposto a ser responsabilizado, isoladamente, pelo vazamento das informações do dossiê, por isso não descarta revelar detalhes da operação. ''Eu já prestei depoimento à Polícia Federal e dei a minha contribuição. O André também está à disposição da CPI'', encerrou Dias.


