Curitiba - Sérgio Kobayashi, assessor da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) para a presidência da República, comentou ontem que a partir deste ano as campanhas eleitorais deverão ser ''muito mais responsáveis''. ''Acho que hoje está muito claro o que não se pode fazer numa campanha'', disse Kobayashi.
O assessor argumentou que os escândalos de corrupção e as promessas não cumpridas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) geraram um ''racha'', que obrigou os candidatos e as equipes de comunicação a reformular conceitos. ''As próximas campanhas não serão caras do ponto de vista do marketing, principalmente devido à questão moral. Os profissionais prestarão mais atenção para não extrapolar os limites da ética'', explicou.
''O 'racha' ocorreu em razão do que revelou o marqueteiro (Duda Mendonça) do presidente. Vendeu-se um produto e outro foi entregue. Digo isso em relação à chamada bandeira da ética do PT e às propostas que não foram cumpridas. Como a promessa de geração de 10 milhões de empregos'', afirmou Kobayashi. ''Duro para o PT será dizer: 'Prometemos, não fizemos, mas agora vamos fazer'''.
Kobayashi, que trabalhou em campanhas de Mário Covas, disse que na campanha de Alckmin deste ano atuará mais no apoio (''minha preocupação irá desde como locomover o candidato até a prestação de contas'') do que na parte de comunicação. ''Não posso falar de estratégias, pois estaria atropelando profissionais que estão cuidando mais atentamente dessa questão. Além disso, campanha se faz pontualmente'', argumentou.
O assessor esteve ontem em Curitiba, onde participaria à noite de um evento sobre comunicação política. O deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da CPMI dos Correios, também atuaria nos debates. O foco da participação do parlamentar recairia sobre as regras de licitação para publicidade de órgãos públicos.
O relatório da CPMI dos Correios propõe limites para gastos com comunicação e divulgação de órgãos públicos. A relação entre o publicitário Marcos Valério e o governo federal deixou nítida a necessidade de mudanças na área, enfatizou o deputado.

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