Assentamentos não passaam em teste de produtividade
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quinta-feira, 14 de abril de 2005
José Maria Tomazela<br>Agência Estado 
Sorocaba- Caso o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, fosse aplicar nos assentamentos do Pontal do Paranapanema as regras de produtividade que está propondo para as fazendas teria que desapropriar as terras outra vez. Na média, a maioria não atinge nem a metade dos novos índices de produtividade que estão sendo propostos apenas para as grandes propriedades.
Um bom exemplo é o município de Mirante do Paranapanema, que detém a maior concentração de assentamentos do estado de São Paulo. São 37, com 1.600 famílias assentadas e 850 produtores que respondem por 90% da produção agrícola do município, segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Agrário, Itamar Cavalcante. Juntos, os assentamentos têm uma área agrícola de 32 mil hectares e as terras estão acima da média regional de fertilidade.
Tomando como exemplo o milho, o grão mais cultivado nos assentamentos, para estarem livres da desapropriação, os assentados deveriam produzir 56,6 sacas por hectare, conforme a regra proposta, de 3,4 toneladas por hectare. No ano passado, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA), a produção média do município foi de 25 sacas por hectare, ou seja, menos da metade.
Nos 11 municípios da microrregião, segundo a diretoria regional da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, a produção média na safra passada de milho foi de 55 sacas por hectare, bem próximo do novo índice. A produção deste ano não está sendo considerada por causa da estiagem que atinge o Pontal.
Técnicos do setor agrícola dizem que a baixa produção dos assentamentos acaba derrubando os índices regionais de produtividade. No sudoeste, região vizinha, a produtividade média do milho é de 120 sacas por hectare. É o que colhem os produtores de Itapeva, por exemplo.
Como a soja não é cultivada nos assentamentos, já que a maioria das famílias é ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que não aprova essa cultura, outro produto que se presta à comparação é o algodão. A média de produção nos assentamentos de Mirante, na safra passada, foi de 120 arrobas por hectare, enquanto em Itapeva, os produtores colheram 270 sacas por hectare.
O Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead) do Ministério do Desenvolvimento Agrário, não considera correto comparar os índices de produtividade dos assentamentos com os de outros produtores mais tecnificados.


