Nem mesmo os financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura (Pronaf), pelo Banco da Terra, para famílias de agricultures, nem tampouco os créditos especiais para assentados pela Reforma Agrária, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que, a princípio, deveriam aumentar a circulação de dinheiro na cidade, têm feito o município de Congonhinhas (55 km ao sul de Cornélio Procópio) crescer. Ao contrário, o prefeito José Olegário Ribeiro Lopes (PSDB), atribui aos trabalhadores sem terra a responsabilidade pela distorção entre receita e despesa das contas municipais.
O desajuste entre receita e despesa das contas de Congonhinhas está tirando o sono do prefeito. Enquanto a receita média mensal gira em torno de R$ 382,8 mil, a despesa média, no mesmo período, ultrapassa em cerca de R$ 10 mil, chegando a R$ 392,8 mil por mês. ''É uma situação difícil'', justifica Ribeiro Lopes. Por conta disto, ele se aliou aos prefeitos dos outros 19 municípios da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop) que reduziram o expediente pela metade e ameaçam declarar moratória em protesto à queda do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
A redução do expediente para quatro horas e meia - das 8 horas às 12h30 - causou inquietação entre muitos dos 7.848 habitantes de Congonhinhas, que aguardam uma solução para o problema. Hoje na cidade só funcionam os serviços essenciais de saúde, educação e limpeza pública.
Ao todo o gasto com pessoal e encargos sociais, tanto na administração direta como indireta, representou R$ 903.135,38 dos R$ 2.550.763,43 nestes primeiros seis meses do ano. O custo da Câmara Municipal foi de R$ 88.607,00 nos primeiros seis meses do ano, uma média de R$ 14.767,97 ao mês.
Pelos cálculos de Ribeiro Lopes, 138 famílias vivem no assentamento Carlos Lamarca, na Fazenda Marabá; outras 63 famílias da Colônia de Agricultores Água Branca estão na Fazenda Santa Marta. Isso sem contar as 35 famílias de agricultores sem terra da Fazenda Santa Terezinha, assentamento não oficializado pelo Incra, e outras 66 famílias no acampamento Dandara. ''A população aumentou muito com os assentamentos'', aponta ele. Pelo censo 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população foi calculada em 7.848 habitantes. Deste número, quase a metade da população, 3.147 pessoas moram na zona rural.
Município essencialmente agrícola, Congonhinhas foi incluído pelo Departamento de Estudos Sócios-Econômicos Rurais do Paraná (Deser) entre as cidades da região Norte que tem 12,1% da população vivendo na faixa de pobreza. A administração pública, diz o prefeito, teve que aumentar o número de atendimentos de sa© úde e educação com a chegada das famílias dos sem-terra.''Se gasta muito com saúde'', ressalta Ribeiro Lopes. Nos últimos dois meses, em junho e julho, foram enviados pelo governo federal para Congonhinhas R$ 16.200,00, a cada mês, para atender o Programa de Saúde da Família.
Oficializado pelo Incra está apenas o assentamento Carlos Lamarca com 138 famílias. Segundo o engenheiro agronômo do Incra, Ely Moutinho, o Plano de Desenvolvimento de Assentamentos (PDA) vai distribuir a cada família: R$ 1.500,00 para fomento e alimentação, R$ 3 mil para material de construção das moradias, R$ 15 mil para a produção, e R$ 3 mil para infra-estrutura.
Outras 63 famílias receberam R$ 8 mil, do Pronaf, em fevereiro de 2002, pelo Banco da Terra, explica Nelson Fracaro, responsável pelo crédito rural até o final do ano passado, da Emater. ''Eles têm ainda uma diferença a receber, da ordem de R$ 5,5 mil, dependendo das normas que deverão ser divulgadas pelo Banco do Brasil'', esclarece ele. A exceção fica por conta daqueles que aplicaram os recursos mal ou de maneira indevida.
As contas municipais da gestão passada de Ribeiro Lopes - 1997 a 2000 - foram todas aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), com exceção do ano de 1997, onde houve gasto indevido com uma pesquisa de opinião pública. As contas de 2001 e 2002, deste mandato, ainda estão em análise pelo tribunal.

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