Assembléia vive 'tarde de Severino'
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segunda-feira, 07 de março de 2005
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A inabilidade política dos deputados do PT e do PMDB na Assembléia Legislativa fez com que a bancada de apoio ao governador Roberto Requião (PMDB) sofresse a sua maior derrota política ontem. Um impasse entre os líderes dos dois partidos permitiu que o ex-líder da oposição Durval Amaral (PFL) assumisse ontem a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), comissão que é considerada a mais importante da Casa. Agora a bancada governista corre atrás do prejuízo para tentar reverter a eleição de Amaral através de manobras regimentais.
Tradicionalmente o presidente da CCJ é indicado pelo partido que tinha mais deputados eleitos no início da legislatura (no caso o PT). Porém, na semana passada o PMDB decidiu intervir na decisão do PT, tentando impor a escolha para o cargo do deputado Hermes da Fonseca (PT), que já ocupava o cargo. A ingerência do PMDB fez com que o PT também se dispusesse a disputar presidências de comissões que pela tradição seriam do PMDB.
Enquanto os dois partidos governistas discutiam o assunto, a oposição conseguiu colocar na surdina oito deputados na composição da CCJ, que é formada por 13 deputados. Com as indicações definidas, os oito membros apressaram-se em realizar uma reunião e eleger Amaral para ocupar o cargo. A CCJ tem importância vital, pois cabe ao seu presidente escolher os projetos que serão apreciados antes de serem mandados ao plenário.
O presidente estadual do PT, André Vargas, deu a dimensão exata da derrota sofrida pelos governistas. ''Foi uma tarde de Severinos. Assim como na Câmara dois deputados aliados se enfrentaram e permitiram a eleição do terceiro, aqui o impasse acabou deixando essa manobra. Vamos tentar agora um acordo para reverter a situação'', afirmou. De certa forma, Vargas causou o impasse entre os partidos, uma vez que a bancada do PMDB não queria o petista na presidência da CCJ pela sua oposição contumaz ao Palácio Iguaçu.
O deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB) também reconheceu a derrota. ''A articulação política nesse caso foi um desastre. Faltou diálogo na bancada e agora deu nisso. O negócio já começou errado quando votamos o regimento interno no início do mês e não mudamos a proporcionalidade das comissões a nosso favor'', afirmou. Apesar de ter eleito apenas oito deputados em 2003, o PMDB agora soma 12 parlamentares e é a maior bancada da Casa. Bradock defendia que a proporcionalidade das comissões seguisse a bancada atual, o que daria a presidência da CCJ pela tradição para o PMDB.
A eleição de Amaral pegou de surpresa o próprio deputado. ''Quando acordei nem passou pela minha cabeça que eu presidiria a CCJ. Mas acho que é um momento histórico para a Assembléia, que mostra sua independência e elege um deputado de oposição mesmo com toda a articulação, ou desarticulação nesse caso, do Palácio Iguaçu'', afirmou Amaral.
O oposicionista já deu o tom da relação com o Palácio Iguaçu. ''Não vai mais acontecer das mensagens do interesse do governo chegarem com urgência urgentíssima e serem mandadas para o plenário sem que os deputados possam analisá-la. A urgência agora terá que ser do Palácio para mandar a mensagem. Porém, não irei agir com o ânimo de retaliação. Apenas vamos respeitar e dar prioridade aos projetos dos deputados da Casa'', comentou Amaral.


