Assembléia vai leiloar 120 carros oficiais
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2004
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), anunciou que irá extinguir a frota de veículos oficiais da Casa em fevereiro. O motivo foi o escândalo de 2003, quando se apurou que os carros da Assembléia eram campeões em multas não-pagas junto ao Departamento de Trânsito (Detran). Cerca de 120 veículos serão leiloados e a expectativa é que pelo menos R$ 3 milhões sejam arrecadados.
Segundo Brandão, a medida busca evitar transtornos, fazendo com que cada deputado se responsabilize por seu meio de condução. ''Vai ficar a critério dos deputados. Quem quiser, poderá utilizar a verba de gabinete para alugar o carro e será ressarcido. Mas a verba não irá aumentar'', afirmou. Cada parlamentar tem direito a R$ 20 mil por mês para ressarcir despesas feitas com contas de telefone, viagens, etc.
No ano passado, o desgaste dos deputados foi grande ao tentar explicar fatos como o de um Vectra, usado pelo gabinete do Luiz Fernandes Litro da Silva (PSDB), que acumulava R$ 50 mil em multas. O deputado Geraldo Cartário (PSL), que na época defendia o uso de carros oficiais pela Assembléia, apoiou a medida de Brandão. ''Quando o problema veio à tona, percebemos que o controle sobre os carros era muito precário. Principalmente o controle da maneira como os assessores usam os veículos, uma vez que geralmente os deputados usam seus próprios carros para se deslocarem. Está mesmo na hora de acabar com essa festa e adaptarmo-nos à realidade'', afirmou Cartário.
Para o deputado Tadeu Veneri (PT), a extinção da frota é positiva, mas não resolve o problema do mau uso dos carros oficiais por si só. Para o petista, apenas uma maior transparência na utilização dos recursos resolveria o problema. ''Se os carros fossem identificados como sendo da Assembléia, seria muito mais fácil verificarmos se eles estão realmente sendo usados para trabalho. Afinal, se o aluguel dos novos veículos sairá da verba de gabinete, eles continuarão sendo pagos com dinheiro público'', raciocina. No ano passado, Veneri mandou identificar os carros a serviço de seu gabinete, embora o regimento interno da Assembléia não obrigue a identificação.


