Assembléia vai investigar gastos com publicidade
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terça-feira, 29 de maio de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A oposição na Assembléia Legislativa, com a ajuda de um integrante da base de apoio ao Governo do Estado, conseguiu aprovar ontem a criação de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para apurar questões relativas aos gastos da Secretaria de Estado de Comunicação Social (SECS) com publicidade e propaganda nos últimos dois anos. O requerimento que pede a criação da CEI, de autoria do pepessista Marcelo Rangel, foi aprovado por 20 votos a 19. O peemedebista Stephanes Junior votou com a oposição, contrariando a orientação do líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB). ''Não é porque sou da base que não vou querer apurar. Eu costumo ajudar a base sempre, mas algumas questões têm que ser esclarecidas'', afirmou Stephanes Junior.
O voto decisivo deixou o líder do Governo furioso, já que, ontem, outros seis requerimentos da oposição foram derrubados pela base do Governo. Stephanes Junior afirmou que não vê problemas na aprovação da maioria dos requerimentos que são apresentados pela oposição. ''Às vezes são pedidos de informações técnicas, simples, que por orientação da liderança do Governo se tornam questões políticas. Isso cria um constrangimento para a própria base. Mas resolvi votar a favor do requerimento da CEI, especificamente, porque acredito que ali (SECS) tem problemas sérios'', declarou ele, acrescentando que não tem medo de retaliações. ''Eu não tenho cargos no Executivo. Não tenho pedidos sendo atendidos pelo Executivo, me sinto livre. E o parlamentar tem que ter independência. Se ele obedece sempre o líder do Governo, por que é que foi eleito?''.
Romanelli já havia admitido que a base estava ''instável'', tanto que durante a semana passada a orientação era esvaziar o plenário, evitando a votação de requerimentos polêmicos. Romanelli disse à imprensa que a atitude de Stephanes Junior é ''profundamente lamentável''. Já a oposição comemorou o voto do peemedebista.
Marcelo Rangel disse que está ''agradecido'' à Casa e que gostaria de pleitear a vaga de presidente da CEI. ''Talvez o Regimento Interno não permita, em função da representatividade partidária. Mas é um grande passo. Vamos chegar pelo menos a uma conclusão. O assunto não vai acabar em pizza.'' A CEI será composta por sete membros e terá um prazo de 60 dias de investigação. O PMDB terá direito a indicar dois membros à CEI. O PSDB, PT, DEM e PP têm direito, cada um, de indicar um membro. A dúvida é quanto ao sétimo membro, que pode ou não ser indicado pelo bloco formado pelo PPS e o PMN. Ontem, ninguém soube informar qual bloco na Casa teria direito à sétima indicação.
Romanelli disse que a Comissão Permanente de Obras Públicas, Transportes e Comunicação do Legislativo, sob o comando de Rangel, teria ''mais condições'' para apurar a questão dos gastos da SECS e enfatizou que a composição da CEI não será favorável para a oposição. ''Não é o melhor instrumento'', alegou.


