Curitiba A bancada governista da Assembléia Legislativa decidiu dar início às investigações sobre temas polêmicos da administração do ex-governador Jaime Lerner (PFL). Quatro pedidos de abertura de CPIs serão enviados hoje à mesa executiva, e um quinto pedido deve ser protocolado amanhã. Os deputados passaram os últimos dias reunindo assinaturas.
Uma das propostas de CPIs mais abrangentes é a que pede a investigação de irregularidades na Companhia Paranaense de Energia (Copel), proposta pela deputada Elza Correia (PMDB). Além de investigar a compra e venda da ações da Sercomtel em 1998 pela estatal, o requerimento prevê a investigação sobre a forma como o comércio de energia era gerido pela empresa, além de pedir a investigação sobre prejuízos gerados com a criação de subsidiárias da Copel.
Outra estatal que pode virar alvo de CPI é o Banestado, privatizado em 2000. O deputado Neivo Beraldin (PDT) quer que sejam apuradas as denúncias de que a então agência do banco em Nova York teria sido usada para lavagem de dinheiro. Ele também quer explicações sobre a compra de precatórios podres de Alagoas, Pernambuco e Santa Catarina.
O peemedebista Nereu Moura decidiu retomar o pedido de abertura de duas CPIs. Uma para investigar os gastos com a realização dos Jogos Mundiais da Natureza, realizados em Foz do Iguaçu em 1998. E outra para analisar os contratos firmados entre o governo Lerner e as concessionárias do pedágio. ''As duas CPIs são bandeiras que temos carregado há anos, e ficaríamos desmoralizados se não insistíssemos nas investigações'', resume Moura. A quinta CPI, para investigar convênios do programa Paranacidade e com municípios deve ser poposta amanhã, segundo o líder do governo na Assembléia, Ângelo Vanhoni (PT).
Durante a sessão de ontem, o consenso era que seria impossível tocar cinco CPIs ao mesmo tempo e garantir a qualidade dos trabalhos de todas. ''Pela minha experiência, sei que é difícil. Duas ou três comissões seria o ideal'', analisava o presidente Hermas Brandão (PSDB), endossado por Vanhoni e Moura. A situação mudou após uma reunião com membros da bancada governista, na qual se encontrou dificuldades para decidir quais CPIs seriam instaladas.
''Nossa limitação era o corpo técnico da Assembléia, que é insuficiente para atender à demanda tão grande. Mas vamos requerer ajuda aos técnicos do governo'', explicou Vanhoni. Para Elza Correia, a instalação simultânea dos trabalhos é um dever dos deputados. ''Poderíamos acabar perdendo o objeto de investigação, pois muitos fatos ocorreram há quase cinco anos, como o caso Copel/Sercomtel. Temos a obrigação moral de mostrar a sociedade o que se passava no governo'', ressaltou a deputada.
Para o líder da oposição Durval Amaral (PFL) as CPIs podem ser um tiro no pé do governo. ''É o caso dos Jogos Mundiais da Natureza, que não tiveram irregularidade. Na verdade, acho que as CPIs são uma maneira do governo evitar de lidar agora com temas polêmicos como o pedágio, que foram promessas de campanha'', comentou.