Curitiba - A diretora de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Maria Arlete Rosa, confirmou ontem à FOLHA que o esgoto produzido pela Assembléia Legislativa do Paraná, localizada no bairro Centro Cívico, em Curitiba, não está ligado à rede. Ou seja, o esgoto acaba sendo jogado no rio Belém, que corta o Centro Cívico, e fica ao lado do prédio do Legislativo.
A suspeita foi levantada por requerimento do deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMDB) apresentado anteontem na Casa e que causou constrangimento entre os parlamentares. Cheida, que já foi secretário estadual de Meio Ambiente na gestão passada do governador Roberto Requião (PMDB), queria saber qual o destino do esgoto produzido na Casa. O requerimento, aprovado em plenário por unanimidade, foi enviado à Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e deve ser respondido na próxima semana.
A diretora afirma que a Sanepar já havia entrado em contato com o primeiro-secretário da Casa, o deputado estadual Alexandre Curi (PMDB). Ela adianta que se comprometeu a dar uma ''orientação técnica'' ao Legislativo, mas ressalta que a Sanepar é responsável apenas pela ''identificação da situação''. ''Será feita uma vistoria de toda a rede de esgoto do Centro Cívico, mas a notificação deve ser feita pela prefeitura do município, através da Vigilância Sanitária'', explica.
Segundo ela, o problema é ''mais recorrente em prédios antigos ou que tenham passado por reformas ao longo do tempo'', características do edifício que hoje abriga os gabinetes dos parlamentares. ''A situação lá é complicadíssima'', segundo a diretora, em função da parte estrutural. ''Na bacia do rio Belém, a Sanepar iniciou um programa em 2005, que já atingiu da nascente até o Parque São Lourenço. A próxima etapa é justamente do Parque São Lourenço até o Centro Cívico. Além da recuperação da bacia, a equipe da Sanepar faz reuniões com a comunidade e com as escolas'', completa.
Cheida afirma que resolveu enviar o requerimento depois que conversou informalmente sobre o assunto com funcionários da Casa. ''Eu fiquei escandalizado'', comentou. O presidente do Legislativo, deputado estadual Nelson Justus (DEM), desconhecia o problema. ''É um absurdo. Vamos resolver imediatamente'', ressaltou. No requerimento, Cheida pede para a Sanepar ''quantificar o volume de esgoto produzido'' e esclarecer ser destino. O deputado também requer que sejam encaminhadas informações sobre ''os procedimentos técnicos adequados e respectivos orçamentos'' para o prédio se adequar à rede de esgoto.

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