Curitiba - Depois de dois anos e meio em que manteve uma maioria folgadíssima na Assembléia Legislativa, o governador Roberto Requião (PMDB) pode começar a enfrentar problemas nas votações realizadas no plenário, que reiniciam a partir desta segunda-feira. O afastamento dos deputados do PPS e do PT da base aliada e as mudanças partidárias previstas até outubro em virtude das eleições de 2006 podem dar mais força à bancada de oposição que no início do ano era formada por apenas nove dos 54 deputados paranaenses.
Pelas contas do líder da oposição Valdir Rossoni (PSDB), 11 deputados já posicionam-se contra o Palácio Iguaçu nas votações da Assembléia, e o número pode aumentar nos próximos meses. ''Esperamos que pelo menos dois ou três deputados juntem-se ao nosso grupo, mas não posso divulgar o nome deles porque eles ainda não definiram seu posicionamento. Além disso, temos que ver qual vai ser o posicionamento do PT e do PPS, se serão independentes mesmo ou se ainda vão votar junto com o governo. Acho que ainda vai mais um mês antes de termos um quadro definido'', comentou Rossoni.
O número de oposicionistas poderia ser maior caso o diretório estadual do PSDB exigisse que seus nove deputados se posicionassem contra o governo, o que não aconteceu até agora. Apenas dois tucanos (Rossoni e Ademar Traiano) integram a bancada de oposição atualmente. O temor de que um enquadramento dos deputados causasse um esvaziamento na bancada do PSDB até agora tem falado mais alto. ''Em um entendimento com os outros deputados do partido decidimos que cada um é livre para ter o posicionamento que melhor entender em relação ao governo, e isso não deve mudar até as eleições. Mas apesar do número pequeno de oposicionistas, acho que estamos fazendo um belo trabalho. A bancada é formada por deputados experientes, e conseguimos vitórias surpreendentes, como assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que nunca havia ficado na mão da oposição antes'', destacou Rossoni.

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