Assembléia retoma pauta de votações na segunda-feira
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de agosto de 2001
Maria Duarte<BR>De Curitiba 
A Assembléia Legislativa deve retomar na segunda-feira a pauta de votações. O presidente, Hermas Brandão (PTB), pretende votar as prestações de contas do ex-governador Roberto Requião (PMDB), de 1992, e do governador Jaime Lerner (PFL), de 1995. Durante esta semana, os deputados não cumpriram a principal função da Casa: legislar. As votações ficaram prejudicadas porque a base de sustentação ao governo esvaziou o plenário, derrubando as sessões.
A manobra foi adotada pelo líder do governo, Durval Amaral (PFL), com o objetivo de estancar a análise de projetos relativos à Copel. A oposição adotou como principal bandeira o repúdio à privatização da estatal de energia maior projeto de Lerner.
A tática dos governistas desencadeou contra-ataque da oposição. Algaci Túlio (PTB) recorreu ao Regimento Interno e propôs punição aos faltosos. O artigo 241 prevê que faltas sem motivo justificado a dez sessões ordinárias consecutivas são passíveis de punições. ''Eles deveriam ser pelo menos advertidos, já faltaram a cinco sessões. É um acinte ao povo'', reclamou. A liderança do governo argumenta que a estratégia é regimental.
Ainda em clima de ''ressaca política'', os discursos desta semana abordaram basicamente a privatização da Copel. ''Esta semana não foi fácil, mas na segunda-feira volta ao normal. A situação tem o direito de esvaziar o plenário, assim como a oposição'', resumiu.
O projeto popular que revogava a autorização para o governo vender a Copel foi derrubado por 27 a 26 votos, no último dia 20. A bancada apresentou novo projeto para realização de plebiscito para decidir o futuro da empresa. Brandão prometeu analisar as possibilidades de se votar o projeto, porque matéria igual já foi arquivada e precisaria de 28 assinaturas para voltar a plenário. ''Acredito que só vale a pena se mais de 50% da população for consultada'', opinou.
As contas do Executivo devem ter votação tumultuada. A oposição precisa conseguir número para aprovar a matéria, caso contrário Requião pode ficar inelegível. A situção, em tese, tem a maioria. A exemplo da votação anterior de contas de Lerner e Requião, oposição e situação devem fazer um acordo para que ambas sejam aprovadas.


