Curitiba - A Assembléia Legislativa aprovou ontem, em sessão secreta, requerimento pedindo a participação da Polícia Federal (PF) nas investigações da morte do deputado Tiago Amorim. Os deputados avaliam que a suspeita de envolvimento de policiais civis no crime exige o apoio da PF. Logo após a morte do deputado, a Corregedoria da Casa já havia feito o mesmo pedido. A decisão, no entanto, cabe ao Ministério da Justiça.
Os deputados ficaram mais de três horas reunidos a portas fechadas com o delegado encarregado do caso, Alexandre Macorin; o secretário da Segurança, José Tavares; o corregedor-geral da Polícia Civil, Adauto Abreu de Oliveira, entre outros. A reunião foi convocada pelo presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB).
Boa parte dos deputados se mostrou insatisfeita com o andamento do inquérito. O corregedor da Assembléia, Caíto Quintana (PMDB), lembrou que se passaram mais de três meses e até agora não há conclusão. ‘‘Se a polícia quisesse realmente apurar, teria que pedir a presença de policiais federais que não são da região oeste, para ter isenção’’, opinou.
Para o líder do governo, Durval Amaral (PFL), a apuração ‘‘está bem encaminhada’’. No meio da reunião, diversos deputados deixaram o Plenarinho dizendo que não havia ‘‘nada concreto’’.
Macorin afirmou que não vai se opor a uma possível participação da PF no caso. ‘‘Todo reforço é bem-vindo’’. Adauto de Oliveira não considera necessário o reforço.




- Na noite de 18 de dezembro do ano passado, o deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PTB), 33 anos, foi assassinado em Cascavel, sua base eleitoral. Levou cinco tiros à queima-roupa, em frente ao prédio onde morava, no centro da cidade.
- No final de dezembro, a Corregedoria Geral da Polícia Civil enviou três investigadores para Cascavel, com o objetivo de levantar informações sobre uma possível participação de policiais civis no assassinato do deputado. A suspeita de envolvimento de policiais no homicídio surgiu depois que uma emissora de rádio de Curitiba veiculou uma denúncia anônima. Preocupado com o caso, o corregedor da Assembléia Legislativa, Caíto Quintana (PMDB), defendeu a participação da Polícia Federal nas investigações.
- No decorrer do inquérito, um fugitivo da Justiça (preso posteriormente), Júlio Carlos de Oliveira, foi considerado suspeito, mas seu envolvimento foi descartado. Ele apresentou álibi. Segundo depoimentos colhidos pelo delegado, o suspeito teria afirmado a outros presos, antes de sua fuga, que sairia para matar Amorim.
- Outro suspeito levantado nas investigações foi Luiz Carlos Bernardes Pires, o ‘‘Balaio’’, que fazia parte de uma quadrilha. Ele foi morto em janeiro, em confronto com a Polícia.
- No mês passado, o delegado que preside o inquérito, Alexandre Macorin, pediu mais prazo para concluir as investigações.
- Ontem, Macorin disse ter novos nomes de envolvidos no crime. Mas não revelou quantos nem quem são.

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