Assembléia quer devolução de dinheiro pago para 'fantasma'
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terça-feira, 11 de setembro de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitibaá - O presidente da Assembléia Legislativa do Paraná, Nelson Justus (DEM), anunciou ontem que a Procuradoria-Geral da Casa irá propor uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa contra três envolvidos no esquema que permitiu que Verônica Durau recebesse salários como funcionária do Legislativo, de 1996 a 2007, sem nunca ter trabalhado no local. A decisão foi tomada com base no resultado de uma sindicância criada há 20 dias para apurar o caso. Justus informou que um dos envolvidos, Ezequias Rodrigues, genro de Verônica e ex-chefe de gabinete do prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB), ''assumiu toda a responsabilidade'' sobre o caso através de uma carta enviada à sindicância.
Justus confirmou que Verônica de fato esteve lotada no Legislativo - de 1996 a 2001 no gabinete do então deputado Beto Richa e de 2001 a 2007 na diretoria geral adjunta da Casa. A Assembléia irá pedir a devolução de cerca de R$ 300 mil, referentes à soma não corrigida dos salários recebidos por Verônica durante os 11 anos.
Ele explicou que a sindicância conseguiu apurar que, de 2001 a 2007, de fato Verônica não trabalhou na diretoria geral adjunta, mas que, de 1996 a 2001, ''é impossível'' saber se ela cumpria expediente no gabinete do então deputado Beto Richa. ''Não temos como verificar porque os deputados é que são responsáveis pelos seus funcionários'', afirmou Justus. Ele explicou que a Casa pediu a devolução do dinheiro depositado desde 1996 com ''base nas declarações que Verônica deu à imprensa''.
Contraditoriamente, o prefeito Beto Richa não é citado pela sindicância. ''O envolvimento do Beto é nenhum'', respondeu Justus. Já o primeiro-secretário da Casa, deputado Alexandre Curi (PMDB), disse que a Casa pediu a devolução também relativa aos anos de 1996 a 2001 ''presumidamente''. Curi afirmou que a sindicância não chamou o prefeito para questioná-lo sobre o assunto porque Ezequias teria assumido a responsabilidade.
Ezequias pediu exoneração do seu cargo na prefeitura após a repercussão do caso na imprensa. De 1996 a 2001, ele já trabalhava com Beto Richa na Assembléia. O advogado de Ezequias, Maurício de Paula Soares Guimarães, não quis se manifestar sobre as conclusões da sindicância, já que não teve acesso ao conteúdo, mas confirmou à FOLHA que Ezequias ''admitiu que errou''.
Luiz Molinari, ex-funcionário do Legislativo e já falecido, também foi citado pela sindicância. Ele estava à frente da diretoria-geral adjunta até o ano passado, quando faleceu.


