Curitiba - O presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (DEM), confirmou ontem que não ocorrerão as sessões plenárias da próxima semana, como já estava sendo cogitado. Na terça-feira, foi anunciado o cancelamento das sessões plenárias na semana que antecede o pleito, ou seja, de 29 de setembro a 5 de outubro. Ontem, a semana que vai de 22 de setembro a 28 de setembro também foi anulada. Assim, os deputados ganharam duas semanas para se dedicarem exclusivamente às eleições municipais. As sessões plenárias perdidas, entretanto, deverão ser repostas. A informação foi passada ontem à imprensa pelo primeiro-secretário da Casa, Alexandre Curi (PMDB), após a repercussão do assunto. ''Até o final do ano vamos repor.''
Curi acrescenta que os deputados também estão dispostos a voltar aos trabalhos extraordinariamente se surgir, durante o ''recesso branco'', algum projeto de lei do governo do Estado que mereça votação imediata. ''É um compromisso que assumimos.'' A proposta do Executivo que trata da reforma tributária, por exemplo, é uma das matérias que, segundo Curi, pode ameaçar o período de folga dos deputados.
Ontem, o ''recesso branco'' dominou os discursos no plenário. O líder da base aliada, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), criticou a imprensa que questionou sobre a ausência de descontos nos subsídios mensais dos deputados em função do período de folga. ''Na verdade, só vocês (imprensa) que questionam isso. Não é o sentimento do povo. O povo quer que a gente esteja presente nas bases. O processo eleitoral é um processo cívico. Há aqueles que querem desgastar a imagem do Legislativo, mas nós não temos faltado com a população'', afirmou ele.
O discurso estava afinado com o do líder interino da oposição, Élio Rusch (DEM), que demonstrou irritação com o posicionamento de Tadeu Veneri (PT), o único parlamentar que publicamente se manifestou contrário ao ''recesso branco''. ''São apenas seis sessões ordinárias. Todos nós temos compromissos com as nossas bases'', minimizou Rusch. Já o petista disse que entende ''a dificuldade dos deputados que têm suas bases no interior'', mas enfatiza que o papel dos deputados é ''ficar aqui''. ''Vou fazer campanha para vereador às custas da Assembléia Legislativa?'', questionou Veneri.
Dos 54 deputados, 13 são candidatos ao pleito. Os demais, por serem lideranças em suas regiões, acabam participando de campanhas eleitorais de correligionários. Justus afirmou ainda que a Casa e os gabinetes funcionarão normalmente durante o recesso. Apenas as sessões plenárias, que acontecem nas segundas, terças e quartas, a partir das 14h30, serão canceladas.

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