Curitiba - Uma declaração ontem do presidente da Assembleia Legislativa, Nelson Justus (DEM), pode indicar um retrocesso na tentativa de dar transparência à Casa. Justus afirmou que já houve a divulgação dos nomes dos servidores públicos e que ''não há necessidade'' de informar na internet os respectivos locais de trabalho. A declaração não só contraria entrevistas já concedidas pelo próprio presidente da Casa no passado, como também significa que o Legislativo continuará descumprindo as constituições Federal e Estadual.
O artigo 234 da Constituição estadual determina que o Executivo, o Judiciário e o Legislativo devem publicar anualmente a lista de servidores públicos com as respectivas lotações: ''O Estado publicará anualmente, no mês de março, a relação completa dos servidores lotados por órgão ou entidade, da Administração pública direta, indireta e fundacional, em cada um de seus Poderes, indicando o cargo ou função e o local de seu exercício, para fins de recenseamento e controle''.
Em meados do ano passado, a cobrança por transparência se intensificou quando se tornou pública parte das investigações do Ministério Público Federal sobre funcionários ''fantasmas'' da Casa. No dia 1º de abril, pela primeira vez, a Casa cumpriu parcialmente o artigo 234, disponibilizando à imprensa uma lista com 2.458 nomes de funcionários efetivos e comissionados, mas as lotações continuaram em sigilo.
Questionado sobre o assunto na época, Justus afirmou que o chamado ''Portal da Transparência'', que ficará dentro do site da Assembleia na internet, traria todas as informações sobre os funcionários da Casa. Na época, o próprio Justus também sugeriu ausência de controle dos funcionários.
Ontem, contudo, Justus disse que ''não há razão para esconder nada'', mas repetiu à FOLHA que não via necessidade na divulgação das lotações. ''Acho que a coisa vai ficar bem clara e transparente'', enfatizou ele. O ''Portal da Transparência'' está previsto para entrar no ar no próximo mês.

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