Assembléia pode ganhar TV em 2006
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de janeiro de 2006
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em 2006, mais do que em qualquer outro ano, os deputados estaduais devem disputar espaço para discursar na tribuna do plenário da Assembléia Legislativa, devem comparecer mais às sessões, além de participar mais das comissões e de outros setores da Casa. Isso porque, depois de muitos anos de atraso, será implantada a TV Assembléia no Paraná. A expectativa do presidente da Casa, deputado Hermas Brandão (PSDB), é que o canal comece a funcionar já em março do ano que vem. A transmissão será através de canal a cabo e deverá atingir cerca de 3 milhões de pessoas no Estado.
A lei que criou as emissoras de serviço público é de 1996. E boa parte dos estados brasileiros já possui emissoras. O Rio Grande do Sul, por exemplo, transmite a atuação dos deputados estaduais há oito anos e já tem também uma rádio implantada. No Paraná, Brandão disse que a demora aconteceu porque alguns parlamentares temiam o excesso de exposição. Para alguns aliados do governo o canal de TV poderia ser só mais uma forma da oposição fazer ataques e acusações.
O edital para licitar a empresa que vai prestar o serviço da televisão deve ser lançado em breve. O presidente da Casa fez questão de ressaltar que o Ministério Público (MP) estadual está participando da comissão de licitação. A preocupação se justifica uma vez que a Assembléia já foi bastante questionada sobre a origem do dinheiro para a implatanção da TV. Segundo Brandão, ainda não há uma previsão exata do montante que vai ser gasto com a implantação do canal.
A Assembléia vai ter uma comissão própria para ajudar na elaboração do conteúdo da TV, mas todos os serviços serão terceirizados. Isso, segundo o presidente da Assembléia, tem um custo menor porque a empresa fica responsável por todos os encargos e equipamentos. A intenção é fazer uma programação mais elaborada para evitar que o veículo vire uma espécie de ''big brother'' legislativo. Assim, as sessões devem entrar no ar como uma transmissão jornalística. Por ser um canal de serviço público, a TV terá ainda uma programação cultural.
Apesar de a televisão oficial começar a funcionar somente no próximo ano, os deputados já tiveram uma experiência de seis meses este ano. O Canal 21, emissora de televisão do ex-secretário de Indústria e Comércio, Luiz Mussi, transmitiu as sessões entre março e agosto deste ano. Não é possível afirmar se a frequência dos deputados no Plenário aumentou em função disso. Mas, para quem acompanha o dia-a-dia do trabalho dos deputados ficou visível a disputa pela tribuna.
''As posições das bancadas dos partidos na época em que as sessões estavam sendo transmitidas eram mais definidas'', afirma o deputado José Domingos Scarpelini (PSB), frequentador assíduo da tribuna. E o próprio deputado acredita que com a TV Assembléia vão ter mais concorrentes querendo usar o expediente das sessões para discursos. ''O aumento da disputa será positivo. As comissões vão pautar melhor as discussões. Até o português dos deputados deve melhorar'', acredita Scarpelini.


