Assembléia 'pega fogo' durante recesso
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quarta-feira, 07 de janeiro de 2004
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba A Assembléia Legislativa do Paraná vai retomar as atividades somente na segunda quinzena de fevereiro, mas nos bastidores questões internas da Casa são alvo de intensa discussão.
Dois temas delicados vão para a pauta de votações: a mensagem que cria o plano de carreira dos professores da rede estadual e o projeto que praticamente dobra o salário dos secretários de Estado. Este projeto foi retirado da pauta de dezembro para evitar desgaste ao Poder Legislativo. O texto eleva de R$ 4,5 mil líquidos (R$ 6 mil brutos) para cerca de R$ 8 mil líquidos (ou R$ 12 mil brutos) o valor do contracheque do primeiro escalão. O projeto leva a assinatura do líder da bancada peemedebista, Antonio Anibelli, que diz que o objetivo do projeto é corrigir uma injustiça, porque o atual salário dos secretários é baixo, se consideradas a responsabilidade e a dedicação necessárias para a função.
A votação desses dois temas vai exigir jogo de cintura da bancada governista. No primeiro caso, os professores representam a maior categoria do funcionalismo do Estado, e, em ano eleitoral, os políticos não vão querer assumir aposições antipáticas à categoria. Já a votação do aumento para os secretários é munição na mão da oposição, que passou o mês de dezembro criticando a iniciativa.
E justamente por ser ano eleitoral, a liderança do governo pode sofrer mudanças em breve. O atual dono do posto, Angelo Vanhoni, é o pré-candidato do PT à sucessão de Cassio Taniguchi (PFL). Vanhoni apareceu como favorito na pesquisa Datafolha, com 33% das intenções de voto. Para evitar o desgaste da função, Vanhoni pode deixar o posto. Os nomes de Anibelli e de Rafael Greca, também do PMDB, são cogitados para ocupar o gabinete de Vanhoni.
A mudança é assunto recorrente dentro de gabinetes e a portas fechadas. Uma ala de petistas defende que Vanhoni deixe a liderança para se dedicar à construção de sua candidatura. O deputado não tem falado sobre o assunto, e preferiu não comentar com a imprensa o teor da conversa que teve nesta segunda-feira com o governador Roberto Requião (PMDB), com quem almoçou no Palácio Iguaçu.


