Curitiba - A Assembléia Legislativa do Paraná aprovou ontem à tarde um requerimento no qual solicita à 2 Vara Criminal Federal cópia integral do depoimento do doleiro Alberto Youssef prestado em meados de dezembro do ano passado ao juiz federal Sérgio Moro. No depoimento, Youssef, que virou réu colaborador, afirmou que o ex-líder do governo na Assembléia Durval Amaral (PFL) teria recebido dinheiro cerca de R$ 2 milhões resultante de operação de crédito entre a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e Óleos Vegetais do Paraná (Olvepar). A operação está sendo investigada pelo Ministério Público (MP) estadual desde o ano passado. O doleiro cita outros políticos no depoimento.
O requerimento foi apresentado pelo 1º secretário da Casa, Nereu Moura (PMDB), aliado de primeira hora do governador Roberto Requião (PMDB). Moura argumenta que o teor do depoimento já foi veiculado na imprensa, e que portanto a Assembléia também poderia ter acesso ao depoimento. A assessoria de imprensa da Justiça Federal informou que a 2 Vara Criminal vai esperar a chegada do requerimento para tomar uma decisão.
Na justificativa do requerimento, Moura diz que o objetivo é tomar as medidas cabíveis, para preservar a imagem da Assembléia. Moura espera receber a cópia e em seguida reunir a mesa executiva da Casa para debater o que pode ser feito. O líder do governo na CAsa, Natálio Stica (PT), já sugeriu que a Comissão de Ética e Corregedoria da Assembléia analisem o caso.
Na sessão de ontem, Amaral ocupou a tribuna para falar pela primeira vez ao plenário sobre as declarações de Youssef. Amaral disse que nunca teve nenhum tipo de relação com o doleiro. O pefelista observou que os demais jornais do Paraná transcreveram a matéria da Folha que trata do depoimento de Youssef. E levantou um questionamento: ''Os jornais transcreveram a pedido a matéria da Folha. Mas a pedido de quem''?
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), afirmou aos jornalistas que o caso já está sendo investigado pela Justiça e que a Assembléia não tem o direito de julgar ninguém. Anteontem, os presidentes da Corregedoria da Assembléia, Luiz Accorsi (PSDB), e da Comissão de Ética, Pedro Ivo Ilkiv (PT), declararam que só podem apurar o caso se receberem denúncia formal, o que não ocorreu.

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