Assembléia pede a demissão de Garcia
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quinta-feira, 16 de abril de 1998
Leandro Donatti 
Arquivo FolhaPressãoAníbal Khury: Não se acendem velas para maus defuntos. Se ele for inteligente, pede demissãoA Assembléia Legislativa quer a cabeça do presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, o Neco Garcia. Reunidos ontem, em Curitiba, os deputados iniciaram uma ofensiva para impedir a permanência do presidente do banco, que os acusa de maus pagadores. A manobra para a derrubada de Garcia é coordenada pelo presidente da Casa, deputado Aníbal Khury (PFL). Ele voltou a condicionar ontem a análise da lei da privatização do Banestado ao desligamento do presidente. Não se acendem velas para maus defuntos. Se ele for inteligente, pede demissão e pára de falar demais, declarou Khury no final da tarde.
Para acalmar os ânimos no Legislativo, o governador Jaime Lerner (PFL) designou o chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, e o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, para atuarem como bombeiros junto aos deputados. Cândido almoçou com o presidente da Assembléia acompanhado do secretário dos Transportes, Heinz Herwig - que foi discutir com Khury uma estratégia para contornar eventuais reflexos negativos da cobrança de pedágio nas rodovias. O chefe da Casa Civil pediu paciência para o presidente da Assembléia e disse que as críticas de Neco Garcia são isoladas. Isso vai deixar resquícios, que, ao longo dos dias, devem ser superados, disse Martins.
Giovani Gionédis foi o segundo emissário do governo a conversar com o Legislativo ontem. O secretário deixou claro que Lerner não vai afastar Neco Garcia da função - pelo menos por enquanto. O Neco é um verborrágico. O governador não vai demiti-lo. Isso é natural. A primeira reação é sempre de proteção, depois pode até haver uma..., deixou em aberto, numa referência a um possível puxão de orelhas. Para o secretário, a ameaça de Khury - de obstruir a lei da privatização - tende a ser superada. Tenho prazos e o tempo é a melhor solução nestas horas, avaliou.
Para engrossar a ofensiva contra Garcia, a oposição conseguiu autorização dos deputados ontem para realizar audiência pública, nos próximos dias, para discutir a situação financeira do banco. Ex-presidentes e ex-diretores serão convidados para analisar o rombo, que oficialmente é de R$ 1,7 bilhão, e a proposta de privatização firmada com o Banco Central. O pedido passou batido pelo líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), que tenta evitar arranhões à imagem do Banestado. Ângelo Vanhoni, do PT, aproveitou o deslize para iniciar a coleta de assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que poderia investigar as acusações feitas por Neco Garcia.
Ao contrário do que diz o requerimento, liberando o banco a nominar os parlamentares devedores (leia mais nesta página), a CPI não deve sair no papel. A base aliada a Lerner já foi orientada a não avançar na matéria.
A Câmara de Vereadores de Londrina aprovou ontem uma moção de apoio ao presidente do Banestado. A proposta foi feita pelo vereador Moysés Leônidas (PDT), pré-candidato a deputado estadual. Ele alegou que Neco Garcia é um homem sério e de respeito e que está de parabéns por ter denunciado os deputados maus pagadores.
Leônidas propôs também o encaminhamento de um ofício ao governador Jaime Lerner. Os vereadores Elza Correia (sem partido), Roberto Kanashiro (PSDB) e Antenor Ribeiro (PPB) também elogiaram Garcia.
O vereador Célio Guergoletto (PMDB) disse ser favorável à moção para Garcia, mas contrário ao requerimento para o governador. Ele também está metido nisso. Aceitou a entrada do Durval (Amaral) em seu partido em troca de dívida com o Banestado, acusou. O peemedebista referia-se às denúncias do senador Roberto Requião (PMDB) de que o deputado conseguiu redução de uma dívida junto ao banco depois de ter trocado de sigla e aliar-se ao grupo de Lerner.(Colaborou Patrícia Zanin)


