Curitiba - O presidente da Assembléia Legislativa do Paraná, deputado Nelson Justus (PFL), disse que irá conversar com os líderes da Casa sobre os pedidos de abertura de seis Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Os pedidos foram protocolados anteontem. A reunião deve acontecer no próximo dia 26, após o feriado de Carnaval, que é quando os parlamentares vão dar início, de fato, às sessões ordinárias. Quinta-feira, foi feita apenas uma sessão de abertura do ano legislativo, marcada justamente pelo anúncio das CPIs.
A reunião, conforme explicou o presidente da Casa, pretende discutir a finalidade das CPIs e a sua real necessidade de implantação. ''Vamos tentar encontrar uma maneira de implantar apenas as CPIs que vão apurar alguma coisa''. O presidente explica que não há estrutura para dar andamento a seis CPIs ao mesmo tempo. Além disso, conforme prevê o quarto parágrafo do artigo 36 do regimento interno da Casa, é permitido o funcionamento apenas de cinco CPIs de forma concomitante. ''Não temos mecanismo, estrutura. É bobagem, é balela, não tem como funcionar'', afirma ele. Cada CPI deve ser composta por pelo menos sete deputados e tem, no mínimo, 120 dias para apresentar um relatório sobre as investigações.
Entre as seis CPIs, cinco foram sugeridas por deputados que pertencem à base de apoio ao governo e envolvem a gestão do ex-governador do Estado Jaime Lerner (PSB). Uma delas pretende apurar um pagamento de R$ 10 milhões feito em 2002 pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER) à empresa DM. Segundo declarações do governador Roberto Requião (PMDB) na última terça-feira, o pagamento teria ido para a campanha do então candidato ao governo do Estado e atual prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB).
Deputados de oposição reclamaram anteontem porque, caso as cinco CPIs governistas sejam implantadas, o regimento interno bloqueará a criação de outras CPIs. ''CPI para barrar outra CPI também não dá. Já vi esse filme antes'', comentou o presidente. Apenas a CPI proposta pelo deputado Fábio Camargo (PTB) trata de um tema que envolve a atual gestão do Executivo. O petebista pede para que se investigue fatos referentes à aplicação de recursos públicos em Organizações Não-Governamentais (ONGs).
O advogado José Cid Campelo Filho, ex-secretário de Governo na gestão Lerner, questionou ontem a criação das CPIs e fez críticas a Requião. ''Quem não sabe governar fica inventando CPIs, factóides''. Campelo afirma que Requião está repetindo o que já tinha feito no início da sua gestão anterior, em 2003. ''Naquela época também quiseram fazer várias CPIs com o objetivo de desgastar o governo anterior. Só que agora ele esqueceu que a gestão anterior era comandada por ele. Ficaram num passado distante'', alfinetou. Em relação à CPI envolvendo o prefeito da Capital, o ex-secretário afirma que a intenção do governador é ''desgastar a imagem do Beto Richa para as eleições de 2008''.
Ontem a reportagem não conseguiu conversar com o líder do PMDB, deputado Waldyr Pugliesi. A assessoria de imprensa do líder da oposição, deputado Valdir Rossoni (PSDB), informou que o tucano reúne peças sobre um suposto superfaturamento na compra de televisores, feita pelo atual governo, para enviar direto ao Ministério Público Estadual.

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