Curitiba - Às vésperas do recesso legislativo, boa parte dos parlamentares não vê a hora de terminar os trabalhos do primeiro semestre no Centro Cívico, em Curitiba. Diferente de outros anos, o período entre fevereiro e junho de 2015 foi conturbado, polêmico, inusitado e tenso, enfim, atípico e histórico.
A turbulência não demorou a chegar e, apenas nove dias depois de terem sido diplomados nos cargos, os deputados viram servidores estaduais em greve ocuparem o plenário e, dois dias depois, o pátio da Assembleia Legislativa, impedindo a entrada dos políticos. Trinta e três deles tiveram que "pegar carona" no camburão do Bope da Polícia Militar para conseguirem entrar no prédio.
A mobilização foi uma resposta dos grevistas ao "pacotaço" proposto pelo governador Beto Richa (PSDB). Como se já não bastasse, a votação do projeto sobre a Paranaprevidência foi realizada em meio ao confronto no dia 29 de abril, que deixou mais de 200 pessoas feridas. Depois, a negociação sobre reajuste para a categoria se estendeu exaustivamente por semanas.
"Posso resumir o primeiro semestre em uma palavra: tragédia. Não só pelo que ocorreu no dia 29 de abril, que foi um completo absurdo, mas pela postura adotada por alguns deputados diante de tudo o que ocorreu neste período. Acho que vamos carregar o que ocorreu durante o restante do mandato do governador Beto Richa", afirmou o líder da oposição, Tadeu Veneri (PT).
Segundo ele, a agenda do governo tem colocado a base aliada numa situação constrangedora, inclusive tendo que encarar ofensas de boa parte da população. "Acredito que teremos um segundo semestre ainda com muito embate".
Nelson Justus (DEM), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da AL, e que está na Casa há cerca de 20 anos, afirmou que, mesmo depois de muito tempo, ainda não tinha vivenciado o que ocorreu no primeiro semestre de 2015. "Realmente foram momentos difíceis com assuntos extremamente polêmicos. Junto a isso, tivemos uma participação política muito grande por parte da população. Sem dúvida, não vai ser esquecido tão facilmente", ressaltou.
Schivianato (PP) apontou que o desgaste que ocorreu na AL foi incomum, completamente fora do pensamento de todos os 54 deputados. Ele acredita que a partir do segundo semestre outros bons projetos possam ser discutidos.
Já para o deputado Rasca Rodrigues (PV), que chegou a ser mordido por um cão pastor alemão durante a confusão do dia 29 de abril, tudo o que ocorreu neste período é reflexo de um momento político complicado. "As medidas tomadas fogem de qualquer lógica política, pois estamos falando de um governo de continuidade, e não de um primeiro mandato", afirmou. Sobre o ataque que sofreu do cão durante a confusão da votação do Paranaprevidência, Rasca ressaltou que chegou a ser uma situação inusitada e irônica, pois ele é um dos parlamentares que mais propõem projetos em defesa dos animais na Casa.

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