Curitiba - Governistas e oposição parecem ter avançado para um consenso, ontem, sobre os requerimentos solicitando a abertura de seis Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). É que a base governista já admitiu que não há condições estruturais para a instalação de cinco CPIs ao mesmo tempo, número máximo permitido pelo regimento interno. ''Não estamos desistindo das CPIs. O que a gente vai fazer agora é tentar instalar pelo menos duas'', explicou o líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB).
Só a base governista é responsável por cinco pedidos de investigação - todos envolvendo a gestão anterior do Executivo, do então governador Jaime Lerner (PSB). O sexto requerimento, de autoria do deputado Fábio Camargo (PTB), pretende investigar fatos referentes à aplicação de dinheiro público em Organizações Não-Governamentais (ONGs).
Romanelli disse que ainda está ''em processo de negociação'' com a oposição, mas que a base governista não deve abrir mão da instalação da CPI que pretende investigar o destino dos R$ 10 milhões pagos, em 2002, pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) à empresa DM. O pedido de investigação é consequência da recente briga protagonizada pelo governador Roberto Requião (PMDB) e o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB). Requião afirma que o prefeito, naquele ano candidato a governador do Estado, teria se beneficiado da quantia para pagamento de dívidas de campanha eleitoral. A outra CPI priorizada pela base governista é a que pretende investigar as ONGs.
O deputado Durval Amaral (PFL) também defendeu a instalação da CPI de autoria do deputado Fábio Camargo (PTB). ''Ela pode trazer resultados concretos. O próprio Tribunal de Contas já vem alertando sobre a corrupção nas ONGs. Mas não há como discutir as demais CPIs. Se cinco funcionassem ao mesmo tempo, já seriam 35 parlamentares (de um total de 54) envolvidos nas investigações'', lembra. É que cada CPI teria que ser formada por sete membros. Além das CPIs, as comissões permanentes (que analisam as propostas legislativas) também exigem a participação dos deputados. Existem 14 comissões permanentes na Casa. A mais numerosa é a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), formada por 13 deputados.
O deputado Valdir Rossoni (PSDB), líder da oposição na legislatura passada, voltou a afirmar ontem que os governistas, com a intenção de instalar cinco CPIs, queriam apenas ''obstruir a pauta''. ''Eles têm medo que a oposição consiga instalar CPIs para investigar a atual gestão'', alfinetou. O tucano já afirmou que pretende investigar casos de supostos superfaturamentos - na compra de televisores e em obras de saneamento do Litoral. Caso a oposição não consiga investigar os casos - são necessárias no mínimo 18 assinaturas de deputados para solicitar a abertura de uma CPI -, Rossoni não descarta a idéia de levar os supostos indícios de superfaturamento ao Ministério Público.

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