Assembléia investiga funcionária fantasma
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segunda-feira, 06 de junho de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Assembléia Legislativa instalou uma comissão de sindicância para apurar as denúncias de que a enfermeira Elizângela Mendes Pechinsky teria recebido R$ 32 mil no ano passado como funcionária fantasma. Elizângela foi contratada pelo gabinete do então deputado estadual Felipe Lucas (PPS) que assumiu o cargo por cinco meses devido a uma licença médica da deputada Arlete Caramês (PPS).
Elizângela afirma que foi utilizada como laranja no esquema, que segundo ela teria sido montado pelo funcionário da Assembléia, Metódio Storsky, seu cunhado. O dinheiro teria sido depositado na conta de sua irmã, esposa de Metódio. Elizângela só teria descoberto que foi funcionária da Assembléia recebendo R$ 4 mil por mês quando deixou sua profissão de empregada doméstica e procurou o INSS para pegar um levantamento de seus últimos empregos, documentação necessária para ingressar na vaga de enfermeira em um hospital.
Segundo o deputado Hermas Brandão (PSDB), o incidente teria ocorrido devido a uma falta de controle da Assembléia sobre os R$ 25 mil mensais destinados aos gabinetes dos deputados, que têm liberdade para escolher pessoas de sua confiança para cargos em comissão. ''Atualmente não há esse controle, mas estamos estudando agora alternativas para evitar esse tipo de fraude, que nos pegou de surpresa. Uma comissão foi montada para esclarecer a situação, e tenho certeza que caso seja confirmada a denúncia o dinheiro será devolvido e os responsáveis demitidos e responsabilizados'', afirmou Brandão.
Segundo o presidente da Assembléia, já ocorreram casos semelhantes no passado e apenas agora a Casa está avançando em mecanismos de controle para coibir a corrupção. ''Estamos instalando um sistema de publicação de todas as contas da Assembléia na Internet para que todos possam fiscalizar. Além disso, estamos demitindo os funcionários que não se dedicam exclusivamente à Assembléia, além de estarmos realizando uma licitação para criarmos uma TV, o que vai possibilitar maior controle da atividade dos deputados por parte da população. No ano passado já extinguimos a frota de carros oficiais da Assembléia, que também dava margem ao uso indevido do dinheiro público'', enumerou Brandão.
A Folha procurou ontem o suplente Felipe Lucas, mas não conseguiu contato com o parlamentar. Segundo informações extra-oficiais, ele teria se licenciado do partido para apresentar sua defesa. Membros da executiva do PPS se reúnem hoje para discutir o caso. ''A notícia pegou todos de surpresa, e não conseguimos contato ainda com o Felipe Lucas. Mas existe a possibilidade da comissão de ética investigar o assunto'', afirmou o deputado estadual Marcos Isfer, líder do PPS na Assembléia.
O funcionário da Assembléia, Metódio Storsky, não foi localizado ontem.


