A primeira ação concreta do deputado Caíto Quintana (PMDB), eleito no início do mês passado corregedor da Assembléia Legislativa, é a investigação das informações veiculadas pela imprensa nacional, de que os deputados estaduais estariam recebendo dinheiro para votar a favor da privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Quintana disse que vai pedir explicações aos jornalistas Cláudio Humberto e Sebastião Nery e também a secretários de Estado, sobre a possibilidade de o governo estar ‘‘comprando o voto de parlamentares’’. Segundo o corregedor, é inadmissível que o nome da Assembléia Legislativa ‘‘seja manchado dessa forma’’, sob pena do Legislativo perder a credibilidade. ‘‘São informações contundentes que precisam ser esclarecidas.’’
O deputado Ângelo Vanhoni (PT) afirmou que o governo estaria abordando inclusive prefeitos, oferecendo R$ 1 milhão para que eles evitassem debater a venda da Copel em seus municípios. O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, foi procurado ontem para comentar o assunto mas não retornou à reportagem. O secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, disse que não existe nenhum oferecimento de verba a prefeitos ou deputados. ‘‘Isso não existe. É simplesmente uma barbaridade’’, declarou.
Anteontem, os deputados Irineu Colombo (PT) e Nereu Moura (PMDB) cobraram explicações da mesa executiva sobre o assunto. O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), admitiu que os deputados estão cobrando verbas do Palácio Iguaçu, mas os recursos seriam para seus municípios e se referem às emendas ao orçamento, ‘‘o que é pleno direito dos parlamentares cobrarem’’. Cada deputado teve direito a R$ 1,5 milhão em emendas, no máximo, mas nem todas foram contempladas.
A disputa entre situação e oposição por votos para revogar a Lei 12.355/98, que autoriza o Estado a vender a Copel, está acirrada. A votação está prevista para a próxima segunda-feira (dia 9) e a bancada de oposição quer mais tempo para buscar apoio, dentro e fora da Assembléia. O líder do governo, Durval Amaral (PFL), aposta que conseguirá viabilizar a venda da estatal, enquanto a oposição – que já contabiliza perda de apoio de parte dos aliados – trabalha para engrossar o coro antiprivatização. A liderança da oposição conta com 24 votos garantidos e também aposta que conseguirá mais que os 28 votos necessários para derrubar a autorização. A informação que circulava ontem pelos corredores da Assembléia era que o governo ainda não conseguiu solidificar a base de apoio na votação da revogação da lei.
De acordo com Hermas Brandão, o próprio governador Jaime Lerner (PFL) manifestou desejo de que a revogação seja votada o quanto antes. Ontem, o relator dos dois projetos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Plauto Miró Guimarães (PFL), deu parecer favorável aos textos que prevêem a revogação – um do deputado Tony Garcia (PPB) e outro da oposição. Entretanto, os deputados Orlando Pessuti (PMDB) e Hermes Fonseca (PT) pediram vistas. Pessuti disse que vai devolver a matéria na próxima reunião ordinária da CCJ, marcada para terça-feira. Como o projeto precisa passar também pela Comissão de Finanças – e ainda não foi pedido regime de urgência – o votação pode acabar sendo adiada. Os governistas pediram ontem que ambos os processos sejam anexados, já que têm o mesmo objetivo. Com isso, se um deles for retirado, o outro cai automaticamente.
A oposição mudou de idéia ontem e decidiu levar palestrantes contrários à privatização. A sessão plenária de hoje será transformada em sessão especial, quando serão ouvidos o engenheiro Ivo Pugnaloni (ex-funcionário da Copel) e o presidente do Conselho Regional dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos do Paraná (Crea), Luiz Antonio Rossafa. O Fórum Popular Contra a Venda da Copel lança hoje o ‘‘Placar da Copel’’, com os nomes dos deputados que são contra, a favor ou indecisos em relação à venda da estatal. No final da tarde de ontem, o Fórum contabilizava 25 deputados contra a privatização. No mês passado, a Folha havia detectado que 28 eram contra, 19 indecisos e apenas sete a favor.

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