Curitiba - Cerca de 1 500 funcionários da Assembleia Legislativa (AL) que tiveram perdas com a defasagem dos salários recebidos entre junho de 2002 e dezembro de 2006 deverão receber parte dos valores devidos neste fim de ano O Sindicato dos Servidores Públicos Civis da AL (Sindilegis) e a Mesa Executiva da Casa fecharam um acordo que prevê o parcelamento parcial dos valores O acerto foi sacramentado ontem com a apresentação, durante a sessão do dia, de um projeto de lei que autoriza o pagamento da recomposição salarial Hoje o texto será analisado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
Pelo acordo, a Assembleia deverá pagar até R$ 12 mil por funcionário antes do fim do ano, assim que o projeto for promulgado pelo governador Segundo o presidente do Sindilegis, Edenilson Carlos Ferry, os cálculos dos valores a serem pagos ainda não foram concluídos, mas só o pagamento dessa primeira parcela da recomposição deverá custar para a Casa cerca de R$ 22 milhões No total, o acerto deverá custar R$ 36 milhões mais as correções relativas ao período
Segundo o deputado Jocelito Canto (PTB), autor do projeto de lei que autoriza o pagamento, a Assembleia usará reservas financeiras para pagar a primeira parcela do acordo O restante do valor a ser pago será parcelado em quatro anos Jocelito disse que o pagamento das perdas da Unidade Real de Valor (URV) é ''a reparação de uma injustiça'' ''Todos os outros poderes pagaram'', afirmou
A negociação para o pagamento das perdas se intensificou depois que os servidores da Assembleia fizeram greve de um dia em outubro Uma comissão de funcionários e da direção da Casa foi formada para fechar uma proposta O pagamento das perdas já havia sido conquistado pelos funcionários em uma ação movida pelo Sindilegis e que transitou em julgado em maio de 2009
A passagem do projeto na Casa não deverá ser isenta de polêmicas O deputado Tadeu Veneri (PDT) questionou a falta de dispositivos no projeto para impedir o pagamento de valores para funcionários-fantasma, servidores e ex-servidores envolvidos nas denúncias de desvio de recursos que vieram à tona este ano Veneri aponta que não há indicação de valores nem do cronograma de pagamentos no projeto
Ferry explica que o Sindilegis enviou um pedido de consulta à Corregedoria da Assembleia para saber como serão tratados os funcionários e ex-funcionários que têm direito às correções, mas foram afastados dos cargos que ocupavam por envolvimento em denúncias Entre os casos a serem analisados está o do ex-diretor-geral da Casa Abib Miguel - o Bibinho

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