Curitiba - O deputado estadual Fábio Camargo (PTB) foi eleito conselheiro do Tribunal de Contas (TC) do Estado, ontem, pelos seus colegas da Assembleia Legislativa. Ele obteve 27 dos 54 votos secretos dados pelos parlamentares. O outro deputado que concorria à vaga, Plauto Miró (DEM), recebeu 22 votos. O advogado Tarso Cabral teve dois votos e o fotógrafo Paulo Drabik recebeu um. Camargo e Miró se abstiveram. Os outros 36 advogados, contadores e economistas que se candidataram ao cargo não não receberam nenhum voto.
O processo foi acompanhado por cerca de cem pessoas das galerias da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Durante a votação, elas entoaram palavras de ordem criticando a "eleição política" para o cargo de conselheiro e, ao final, gritaram "vergonha, vergonha". Entre os presentes estavam os jovens que organizaram passeatas e atos contra a indicação de políticos para o TC, sindicalistas e pessoas que aplaudiam o deputado Plauto Miró. Um caminhão de som com faixas contra a candidatura de Fábio Camargo estacionou na frente da AL e foi usado pelos manifestantes, após a votação. A AL reforçou a segurança, mas nenhum incidente grave foi registrado.
Ao final da votação, Fábio Camargo e Plauto Miró optaram por não falar com a imprensa. Nos bastidores comenta-se que um "segundo turno" entre os deputados estaduais pode acontecer. Segundo a norma que rege a eleição do conselheiro, ganha a disputa quem obter a maioria de votos entre os deputados estaduais presentes. Como 54 parlamentares registraram presença no painel eletrônico da AL, 28 votos teriam que ser conquistados. Camargo fez um a menos. "Pode haver contestação, já que o regimento fala em metade mais um", admitiu Tadeu Veneri (PT).
Assim que o resultado foi anunciado, o presidente da AL, Valdir Rossoni (PSDB) anunciou a promulgação de um decreto legislativo com a vitória de Fábio Camargo. O documento será publicado no Diário Oficial e remetido ao governador Beto Richa (PSDB). A posse de Fábio deve ocorrer dentro de 30 dias após a publicação, se não houver contestação do resultado. No início da tarde foram protocolados na AL dois pedidos de suspensão da eleição para conselheiro, que ainda estão sob análise da Mesa Diretora.
Com 40 anos de idade, Camargo poderá permanecer até os 70 na vaga de conselheiro. Foi com essa idade que o ex-deputado estadual Hermas Brandão deixou o cargo, para cumprir a aposentadoria compulsória. Ele terá direito a um salário de R$ 25 mil (90% do que ganha um ministro do Supremo Tribunal Federal). Advogado, o deputado estadual estava em seu segundo mandato na AL e também foi eleito vereador duas vezes em Curitiba.
O político é filho do presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, Clayton Camargo, que é investigado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por suposta influência na eleição para o TC. Os dois negam a acusação, que atribuem a adversários no Judiciário. No lugar de Fábio Camargo, na AL, assume uma vaga definitiva Bernardo Carli (PSDB) e, na suplência aberta, entra Antônio Carlos Belinati (PP).

mockup