Assembléia do Rio propõe pedido de prisão de Diniz
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quinta-feira, 19 de agosto de 2004
Agência Folha 
Rio de Janeiro - Sob a alegação de que, soltos, Waldomiro Diniz e Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, podem pressionar testemunhas, adulterar provas e fugir do país, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Loterj na Assembléia Legislativa do Rio aprovou ontem o relatório que propõe a apresentação ao Ministério Público de um pedido para que a Justiça decrete a prisão temporária dos acusados. O pedido de prisão constava do relatório preliminar da CPI, aprovado quarta-feira por todos os seus membros.
A CPI investigou a Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro) nos últimos cinco meses. Autarquia vinculada ao governo estadual, a Loterj foi presidida, de fevereiro de 2001 a dezembro de 2002, por Waldomiro, ex-assessor da Casa Civil da Presidência da República.
O relatório final da CPI ainda vai ser votado no plenário da Assembléia, possivelmente na primeira quinzena de setembro. O pedido das prisões e dos indiciamentos só será enviado ao Ministério Público se houver a aprovação do documento pelos deputado estaduais.
A CPI foi aberta depois da divulgação da fita de vídeo que mostrava um encontro entre Waldomiro e Carlinhos Cachoeira, empresário do ramo de jogos. No diálogo, o ex-assessor da Casa Civil pedia a Cachoeira contribuições para campanhas eleitorais e um percentual sobre o valor combinado. Waldomiro foi afastado do governo federal depois da divulgação da gravação.
De autoria dos deputados estaduais Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) e Paulo Mello (PMDB), o relatório da CPI pede ainda ao Ministério Público o indiciamento de Waldomiro por ter, supostamente, cometido sete crimes: formação de quadrilha, corrupção passiva, prevaricação, condescendência criminosa, sonegação fiscal, improbidade administrativa e fraudes contra a Lei de Licitações (8.666/93).
A CPI concluiu também que Cachoeira praticou os crimes de formação de quadrilha, extorsão, corrupção ativa e fraudes à Lei de Licitações. Outras oito pessoas são acusadas pela CPI da Loterj de terem cometidos crimes durante e após a gestão de Waldomiro na autarquia.
O advogado de Waldomiro, Luiz Guilherme Vieira, preferiu não comentar a decisão da CPI porque ainda não leu o relatório final. Repetiu, porém, que, para ele, ''CPI não tem competência institucional para investigar crime''. O advogado Raimundo Barbosa, contratado por Carlinhos Cachoeira, não foi localizado pela reportagem.


