O Tribunal de Contas do Estado (TCE), instituição responsável por zelar pelo dinheiro público ao controlar os gastos do governo estadual, está sendo alvo de investigações na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). Com um orçamento para 1998 de R$ 219,2 milhões, segundo números da equipe do governo Marcello Alencar, o TCE está na mira de parlamentares.
Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) quer descobrir quem são os marajás do órgão e um projeto de lei, que tramita na assembléia, quer revogar a indicação do ex-deputado José Nader para o TCE, irmão do ex-deputado Feres Nader, um dos anões do Orçamento. José Nader foi indicado para o Tribunal mesmo sob acusação de irregularidades no período em que presidiu a Casa. O projeto, de autoria do deputado Carlos Minc (PT), deve ser votado até o fim do mês.
Dos R$ 219,2 milhões, R$ 204 milhões, o que representa 93% do total, serão destinados para cobrir a folha de pagamento dos ativos, inativos e pensionistas. A CPI está analisando os números para chegar aos servidores que ganham grandes cifras por mês. A média salarial está em R$ 7 mil, mas alguns funcionários podem ganhar muito mais. A discrepância em relação aos salários do pessoal da Educação, que tem os mais baixos salários do Estado, é grande. Enquando os servidores do TCE ganham quase 60 salários mínimos, professores recebem em torno de três salários mínimos.
A indicação de um novo conselheiro do TCE também foi alvo de polêmica na última semana. Por 53 votos a 9, o deputado estadual e chefe de Gabinete Civil do Governo do Estado do Rio, Marco Antônio Alencar (PSDB), filho do governador Marcello Alencar, foi eleito na última quinta-feira o novo conselheiro do TCE. A conquista do cargo, vitalício, foi obtida durante votação na Assembléia Legislativa. O governador do Rio vai ratificar a nomeação e, o previsto, é que Marco Antônio tome posse ainda este ano.
Aos 42 anos, Alencar terá cargo vitalício, com salário de R$ 9 mil mensais, carro com motorista, nomeação de funcionários de confiança e aposentadoria integral. A escolha foi questionada pelo fato de o secretário do governo ser filho de governo, o que caracteriza, segundo deputados da oposição, nepotismo. O filho do governador avisou, após ser eleito, que não vê qualquer problema em fazer parte do TCE. Ele disse que, toda vez que tiver de analisar as contas de seu pai, vai se declarar impedido.

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