Curitiba - A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Pedro Ivo (PT), e o corregedor da Casa, deputado Luiz Accorsi (PSDB), se reúnem na próxima segunda-feira de manhã para discutir o pedido de cassação do mandato do deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB) por quebra de decoro parlamentar. Os membros da Mesa Executiva da Casa também participam da reunião. O pedido de cassação foi formulado pelo advogado Elias Mattar Assad, que representa a família de Gilmar Rafael Souza Yared, 26 anos, morto ao ter seu carro atingido pelo veículo conduzido por Carli Filho, no último dia 7, em Curitiba. Carlos Murilo de Almeida, 20 anos, que estava junto com Yared, também morreu no acidente.
A reunião foi anunciada ontem pela assessoria de imprensa da Assembleia. O primeiro passo da corregedoria será analisar se é legítimo ou não o pedido de cassação. Em caso positivo, a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar abre um procedimento para apurar os fatos e indicar ou não ao plenário a cassação.
Ontem, o advogado da família Yared também informou que protocolou na Assembleia um pedido de revogação da licença médica de 60 dias concedida a Carli Filho. Segundo Assad, a licença está em desacordo com o Regimento Interno da Casa, que exige deliberação do plenário. Ele também afirma que faltam documentos idôneos comprobatórios do estado de saúde do parlamentar licenciado. Na prática, a Assembleia não discute licenças médicas em plenário. A convocação de um suplente só ocorreria se a licença fosse de 120 dias. Como não há suplente, Carli Filho continua recebendo as verbas mensais de ressarcimento e para contratação de pessoal normalmente.
Repercussão
Parlamentares se manifestaram ontem sobre o assunto, que teve repercussão nacional. O deputado federal Dr. Rosinha (PT/PR) cobrou rigor na investigação sobre o acidente. ''Há duas mortes que precisam ser esclarecidas, com transparência, independentemente de um deputado estadual estar envolvido. Mas não podemos admitir privilégios nem impunidade. Quem é responsável por elaborar leis jamais deveria descumpri-las.''
O deputado estadual Marcelo Rangel (PPS) também voltou a cobrar uma ''ampla investigação'' e disse que é contra o foro privilegiado. ''O político é, antes de tudo, um cidadão comum. Não deve ter privilégio'', afirmou, acrescentando que vai acompanhar o desdobramento do caso na Assembleia: ''Temos que levar até o fim, e até a cassação, se for o caso''.
O acidente foi investigado inicialmente pela Delegacia de Delitos de Trânsito, mas, em função do foro privilegiado do parlamentar, o caso passou para as mãos do Tribunal de Justiça do Paraná.

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