Assembléia deve instalar CEI do Banestado
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Assembléia Legislativa do Paraná deve instalar nos próximos dias uma Comissão Especial de Investigação (CEI) que pretende recalcular os valores da dívida contraída pelo governo do Estado por causa da compra de títulos podres do Banestado à época em que o banco foi vendido ao Itaú. Com isso, os deputados querem também investigar os valores da multa aplicada ao Estado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) por causa da negociação.
O autor da proposta, deputado Cleiton Kielse (PMDB), explica que inicialmente pretendia pedir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que teria mais poder para convocar depoimentos e até solicitar quebras de sigilos bancários, caso necessário. ''Já tínhamos o número de assinaturas suficiente para isso'', diz.
O problema é que o regimento interno prevê que apenas cinco CPIs podem funcionar ao mesmo tempo na Assembléia. Atualmente, já existem seis comissões na espera para serem instaladas. ''Caso eu propusesse uma CPI, ela seria apenas mais uma na fila. Por isso, optei por uma CEI'', justifica Kielse.
Além da questão da dívida do Estado, a comissão pretende investigar também outros problemas causados pela cobrança dos títulos negociados durante o processo de privatização do Banestado. ''Empresas foram terceirizadas para readquirirem os títulos e muitos cidadãos foram lesados por intermédio desta privatização. Possuíam dívidas vendidas ao Banco Itaú e que estão sendo cobradas a juros exorbitantes'', disse.
A criação da CEI é mais um capítulo na tentativa do governo de se livrar da multa de R$ 5 milhões mensais imposta pela STN. A punição foi estabelecida porque o governo não pagou ao Itaú os valores referentes aos títulos podres. Em dezembro, o Senado aprovou uma resolução que acabava com a multa, mas a STN não cumpriu a determinação.


