Curitiba O presidente da Assembléia Legislativa do Paraná, deputado Hermas Brandão (PSDB), cumpriu a promessa. Anunciou ontem que vai descontar o salário dos deputados que faltaram às sessões plenárias em agosto. O próprio Brandão, aliás, que precisou ausentar-se de algumas sessões, terá abatimento no próprio salário. Nélson Turek (PSDB) teve tantos descontos que vai ficar sem salário, segundo informou ontem o Departamento Financeiro da Casa, que divulgou os salários com a autorização de Brandão. Os contracheques com valores menores devem chegar amanhã às mãos dos parlamentares.
Os 54 deputados estaduais têm salário bruto fixado em R$ 6 mil (cerca de R$ 4,5 mil líquidos), pagos pelo contribuinte. Por conta das faltas foram descontados R$ 670,00 por sessão , tem deputado que receberá neste mês apenas R$ 627,55. É o caso de Luiz Accorsi (PTB), que receberá o menor salário entre todos os deputados, fora Turek. Boa parte deles teve o vencimento reduzido pela metade. Apenas sete mantiveram o salário na casa dos R$ 4 mil. Os valores foram divulgados na manhã de ontem pelo Departamento Financeiro. Já foram computados os descontos feitos pelos partidos de cada um.
Irritado com a ausência contumaz dos deputados no plenário, o que impedia a votação de projetos, o tucano anunciou no dia 12 de agosto que todos os faltosos teriam seus salários descontados. Os deputados duvidaram que a medida inédita na história da Casa fosse levada a termo, e interpretaram as declarações do presidente como mera ameaça. Brandão, porém, garante que os abatimentos continuarão sendo feitos até o final do ano.
''Vamos continuar descontando, não há dúvida'', prometeu. Brandão disse ainda que não estão sendo pagos jetons pelas sessões extraordinárias. Isso porque as sessões plenárias antes de segunda a quinta-feira foram reduzidas, desde o mês passado, para apenas segunda e terça-feira. ''Faremos quantas votações forem necessárias, sem pagar jetom'', disse. Normalmente, cada parlamentar recebe R$ 400,00 por extraordinária. Além do salário normal, o deputado recebe mais R$ 7 mil por mês, para cobrir despesas de gabinete. Esse valor permanecerá inalterado.
A redução no contracheque provocou a ira dos deputados, que estão dedicando boa parte do tempo à campanha no interior. ''Acho péssimo (o desconto). Mas, pelo menos, a campanha vai bem. Estou percorrendo 194 municípios, não tenho dormido direito'', reclamou o petista Irineu Colombo.
O líder do PMDB na Assembléia, Nereu Moura, pelo menos em tese, aprovou a idéia. ''Já que teremos só duas sessões por semana, o mínimo que podemos fazer é comparecer'', admitiu.
Turek está convicto que houve erro na chamada feita pela mesa. ''Tenho participado das sessões toda segunda e terça'', declarou o tucano. Ele disse, em entrevista à Folha, que ontem mesmo reclamaria junto à direção da Casa, para corrigir o possível erro.
O controle de presença é feito pela mesa executiva, presidida, na maior parte das sessões, por Brandão. Desde o anúncio do desconto, as sessões têm sido realizadas com, em média, 25 deputados a metade do total. O quorum mínimo para votação é 28 parlamentares mas, se não for pedida verificação de quórum, as votações podem ser feitas com menos deputados no plenário.

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