Curitiba - A Assembléia Legislativa reabre as votações em fevereiro do ano que vem com dois temas delicados para discutir: o plano de cargos e salários dos professores estaduais e o aumento de salário dos 26 secretários de Estado, que deve passar de R$ 6 mil para R$ 12 mil.
Por falta de consenso, nenhum dos dois foi aprovado este ano. No ano que vem, um fator torna as votações ainda mais delicadas. Como 2004 é ano eleitoral, o cuidado com as posições assumidas em plenário aumenta. O líder do governo, Angelo Vanhoni (PT), pode deixar a liderança, já que é pré-candidato a Prefeitura de Curitiba. Além disso, os deputados estarão mais envolvidos com o processo eleitoral nas bases.
Este ano foi de reacomodação na Casa. Como é o primeiro ano de governo de Roberto Requião (PMDB), houve trocas de partidos. No balanço final, a bancada de oposição ficou com apenas seis dos 54 deputados. A expectativa para o ano que vem é que, apesar do número minguado, a oposição continue atacando o governo na questão do pedágio e no aumento dos salários no primeiro escalão.
Um fato que marcou a rotina dos parlamentares este ano foi a realização de dezenas de homenagens na Assembléia Legislativa do Paraná. Entre sessões solenes e especiais, a Casa fez 24 (11 solenes e 13 especiais). Nada menos que duas por mês, na média.
De acordo com o balanço do ano, divulgado na última sessão de votações, na última quinta-feira, foram feitas 107 sessões ordinárias e nove extraordinárias. Foram apresentados 720 projetos de lei, mas sancionados apenas 161.
A Casa instalou em 2003 cinco Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) Banestado, Copel, Jogos da Natureza, Paranacidade e Pedágio. Investigar esses temas era um sonho antigo da oposição que hoje é governo e tem número para garantir a instalação das CPIs. Para o ano que vem, pelo menos uma está na fila, a CPI da Reforma Agrária.
Em setembro, a Folha publicou uma matéria que irritou os deputados, que chegaram a criticar o jornal por causa da publicação dos dados. A Folha informou que o funcionamento da Assembléia custa, por ano, algo em torno de R$ 180 milhões aos cofres públicos o equivalente a R$ 15 milhões por mês. A previsão foi retirada de dados da Secretaria de Estado do Planejamento, sobre o orçamento do Legislativo para 2004. A intenção do jornal foi informar o leitor, mas alguns deputados interpretaram como uma tentativa de desmoralizar o Poder Legislativo.
A Folha publicou ainda que o salário de deputado é de R$ 9.540,00 (valor bruto), o equivalente a R$ 7.112,00 líquidos, com os descontos de Imposto de Renda e do INSS. Os deputados têm direito ainda a uma verba mensal de assessoria no valor de R$ 30.229,78, além de R$ 20 mil (destinada ao ressarcimento de despesas com combustíveis, hotel, alimentação, telefone, correio e passagens). Cada deputado tem também direito a dois carros, para uso do gabinete.

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