Assembléia define que Sercomtel será avaliada
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quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Sercomtel deve lançar em outubro o edital de uma consultoria especializada para avaliação da empresa. A medida, solicitada pela Copel diante da possibilidade de estadualização da telefônica, foi definida em assembléia extraordinária de acionistas, ontem à tarde, e já foi aprovada pelo Conselho de Administração. O órgão estabeleceu que o processo todo - já a partir da elaboração do edital - será coordenado por um grupo de trabalho composto por representantes do Município e do Estado - donos, respectivamente, de 55% e 45% do bolo acionário.
A decisão do conselho depende ainda da ordem de início das atividades por parte da diretoria, o que deve ocorrer ainda esta semana. A afirmação é do presidente da Sercomtel, Gabriel Ribeiro de Campos, para quem, em uma ''previsão otimista'', o assunto da venda deve ser liquidado ainda este ano. O representante da Copel na assembléia de ontem, Edílson Bertholdo, da diretoria de Finanças e Relações com Investidores, não falou com a imprensa.
Em abril, em outra assembléia de acionistas, a Sercomtel entregou à Copel a proposta de estadualização com a venda de 10% das ações. Desde então, a estatal vem alegando que a resposta depende de uma consultoria interna e também de uma consulta formulada, em maio, à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Logo que a Prefeitura oficializou a proposta, Campos rejeitara a consultoria agora aprovada sob o argumento de que a Copel precisaria, primeiro, se manifestar sobre a compra.
Ontem, o presidente mudou o tom: avaliou que a consultoria orientará não só a decisão da Copel, como também ''poderá apontar que características precisam ser melhoradas ou corrigidas''.
Campos explicou que é o grupo de trabalho que definirá, por exermplo, quais objetos específicos deverão constar no edital. ''Podem ser solicitadas avaliações econômico-financeira, patrimonial, a projeção de receita a longo prazo, a perspectiva de crescimento e mesmo o valor da concessão da Anatel'', enumerou. Em seguida, o executivo fez questão de salientar que, esta semana, a empresa Claro obteve, por R$ 5,8 milhões, a concessão para operar em Londrina e Tamarana. ''Em 2001 (ano do plebiscito por meio do qual o cidadão disse não à venda da Celular), o prejuízo já era previsto, pois sabia-se que a Sercomtel não ficaria sozinha; agora, já são cinco empresas disputando o mercado'', afirmou, lembrando do prejuízo de R$ 4,65 milhões (ante a receita de R$ 50 milhões) da Celular, ano passado, ao passo que a Fixa se manteve em equilíbrio, com receita de R$ 205 milhões, e crescimento na Internet, com R$ 9,9 milhões.
O presidente da telefônica não quis precisar quanto a empresa deverá gastar com a consultoria - cujo pedido para ser feita, pela Copel,''sinaliza que a estadualização ainda não está descartada'' -, normalmente disputada por multinacionais. Pelos valores de 10 anos atrás, porém, é possível ter ao menos uma idéia do quanto pode ser consumido do caixa da empresa: em agosto de 1997, o então prefeito Antonio Belinati licitou o serviço com vistas à venda dos 45% das ações ao preço de R$ 564,1 mil. Em janeiro de 1998, o contrato foi assinado com a empresa Capitaltec, na transação cujo desdobramento acabou questionado pelo Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR), que desaprovou as contas municipais daquele ano.


