A Assembléia Legislativa do Paraná vota hoje o primeiro projeto de iniciativa popular de sua história. O projeto revoga a autorização concedida pelos próprios deputados em 1998 para o governo estadual se desfazer dos 31% de participação acionária que detém na Companhia Paranaense de Energia (Copel).
A bancada governista tem a missão de manter o cronograma de privatização, que, pelos cálculos do governo, será consumado em leilão no dia 31 de outubro. A venda da Copel é imprescindível para os planos do grupo do governador Jaime Lerner (PFL), que quer manter-se no poder.
O Palácio Iguaçu tem dito que os recursos obtidos com a privatização servirão para acabar com o déficit previdenciário de R$ 100 milhões mensais e recuperar a capacidade de investimento do Estado. A oposição sustenta que o objetivo do governo é cobrir rombos nos cofres públicos e viabilizar as eleições de 2002.
Às vésperas da votação, o clima era de tensão no plenário da Assembléia. A liderança da oposição temia perder votos para o governo. Os governistas, por sua vez, intensificaram as negociações com a base aliada, também receando novas baixas. A cúpula do Palácio Iguaçu tinha reuniões agendadas ontem com os deputados da base de sustentação, e está marcado para hoje novo encontro com os deputados, liderado pelo secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, e pelo líder do governo, Durval Amaral (PFL). O governador Jaime Lerner deve participar das negociações.
O deputado Moysés Leônidas (PSB), um dos que se dizia indeciso, sinalizou que se reuniria no final da tarde de ontem com Alceni Guerra. Para apoiar o governo, o parlamentar disse que quer viabilizar obras em seu reduto eleitoral (região de Londrina), cargo na administração estadual, e apoio na criação de uma CPI para investigar as universidades paranaenses. Em tese, é contado como voto da bancada aliada. Guerra já havia antecipado que, para o Estado ter condições de liberar recursos para os municípios, precisa dos recursos da Copel. O Palácio Iguaçu nega que haja compra de votos. ''Não barganhamos nem fazemos negociação isolada com os deputados. São negociações com a base, explicando que o Estado só pode liberar recursos se recuperar sua capacidade de investimentos. E eles estão entendendo o recado'', declarou o chefe da Casa Civil.
Ao contrário do que a bancada situacionista esperava, não foi votado ontem o requerimento do líder do governo transformando o plenário em comissão geral hoje e amanhã, para acelerar a tramitação da matéria. O deputado Neivo Beraldin (PSDB) solicitou o adiamento da votação para hoje. O adiamento não vai comprometer a votação do projeto, de acordo com o presidente da Casa, Hermas Brandão (PTB).
A oposição temia que os deputados tucanos Luiz Fernandes Litro da Silva e Sérgio Spada mudassem de posição e votassem com o governo. Spada, líder do partido no Legislativo, disse que a bancada toda (seis deputados) votará a favor do projeto popular. Tiago Amorim (PTB) era contado como possível voto a favor do projeto, mas o líder do governo disse que ele votará contra. Amorim declarou que já decidiu seu voto mas prefere não antecipar como se posicionará hoje.
Também estarão na pauta outros projetos contra a venda da Copel. O primeiro a ser votado será o do deputado Divanir Braz Palma (PST), que suspende por 90 dias o processo de privatização. Braz Palma acredita que a oposição vai apoiar seu projeto ''se sentir que pode perder no projeto popular''. Oposicionistas sinalizaram com essa possibilidade. O segundo será o projeto popular, e o último o de autoria do líder do PPB, Tony Garcia, que também revoga a Lei 12.355. (Leia mais sobre a Copel na página 6 e em Economia)

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