Assembléia começa discutir privatização
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de junho de 1998
Leandro Donatti 
O governo do Estado encaminha hoje para a Assembléia Legislativa mensagem de lei que prevê o saneamento e a privatização do Banestado, num prazo de um ano. O secretário do Governo, José Cid Campêlo Filho, acertava ontem os últimos detalhes da mensagem, que segundo o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Aníbal Khury (PFL), estará aprovada no máximo até o próximo dia 25 de junho.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, vai explicar aos deputados na próxima segunda-feira, dia 22, em Curitiba, o teor do acordo a ser firmado entre o governo e o Banco Central em Brasília, no final do mês. O Legislativo não sabe qual é o rombo do banco. Em dezembro de 97, o passivo do Banestado era de cerca de R$ 1,7 bilhão. Novo cálculo feito pelo governo dá conta que o governo federal terá de injetar cerca de R$ 3,6 bilhões para salvar o Banestado.
A mensagem elaborada pelos técnicos das secretarias da Fazenda e Planejamento vai tramitar em regime de urgência. O governador Jaime Lerner (PFL) conseguiu contornar a crise vivida pelos deputados com o presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, que os acusou de caloteiros, e convencer o presidente da Assembléia a aprovar com rapidez a medida. Em dois ou três dias, tudo estará liquidado, garantia Khury ontem.
O presidente da Assembléia informou que não será necessário revogar a lei de dezembro de 97 que autorizou o governo a negociar com o BC o saneamento. A mensagem aprovada na época não previa a privatização da instituição e consequente perda, pelo Estado, do controle acionário do banco. Temos de aprovar a mensagem. É um bom negócio para o Paraná porque nos faz ganhar tempo. O futuro governo poderá renegociar a dívida e manter o banco sob o nosso controle, assinalou.
A oposição discorda dos argumentos oficiais já assimilados pela base governista. Caíto Quintana (PMDB) e Ângelo Vanhoni (PT) costuram uma estratégia para emperrar a tramitação da matéria. Vanhoni disse ontem que há divergências quanto ao rombo do Banestado. O petista suspeita que o governo transformou alguns créditos com garantia real - facilmente resgatáveis - em créditos de difícil recuperação, para conseguir mais dinheiro do governo federal.
Se a maquiagem para garantir mais recursos se confirmar, o petista pretende levar a questão para o conhecimento do BC, que segundo ele tem a obrigação de fazer uma auditoria nas contas do banco. Vanhoni não descarta ainda a possibilidade do PT e do PMDB levarem a briga contra a privatização à Justiça. Outra alternativa, já cogitada por Caíto Quintana, é tentar dificultar a aprovação da mensagem exigindo-se antes a regulamentação da Constituição estadual no que tange ao sistema financeiro estadual.
Depois de avalizado pela Assembléia do Paraná e assinado com o BC, em Brasília, o acordo para privatização do Banestado passa obrigatoriamente pelo crivo do Senado.


