Curitiba - Com a presença do presidente da Copel, Rubens Ghilardi, de vários diretores da Companhia, do chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, e no início da noite até do governador Roberto Requião (PMDB), os deputados estaduais aprovaram ontem em primeira discussão, com 37 votos favoráveis e cinco contra, a compra da Usina Elétrica a Gás de Araucária (UEGA), da El Paso, pela Copel, por US$ 190 milhões. Três emendas foram apresentadas ao projeto e com isso a segunda votação ficou para hoje. A bancada do governo aprovou requerimento para transformar o plenário hoje em comissão geral. Então as emendas serão analisadas durante a sessão e não vão precisar voltar à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o que poderia atrasar a aprovação mais uma semana.
A sessão que analisou a compra da Usina durou cerca de três horas. Diversos deputados da oposição e aliados ao governo discursaram no palanque. A UEGA foi construída em 2002, no final da gestão de Jaime Lerner (PSB) a frente no Estado. Em 2003, Requião alegou que, após um teste, conclui-se que a UEGA era incompatível com o sistema brasileiro e por isso não poderia funcionar. Diante disso, o governo rompeu o contrato com a El Paso alegando que, caso contrário, teria que pagar valores mensais à empresa, sem produzir energia alguma, que até hoje somariam cerca de R$ 3 bilhões. Com o rompimento a El Paso entrou na Justiça (Câmara Arbitral de Paris) contra a Copel e o governo passou a correr o risco de ter que pagar uma multa de cerca de US$ 800 milhões caso condenado. Por isso, o acordo de compra.
Deputados da oposição argumentaram durante a sessão de ontem que o governo poderia ter negociado com a El Paso já em 2003 e evitado tanto o pagamento pela energia que não seria produzida quanto a briga na Justiça. ''Sairia mais barato negociar com El Paso'', afirmou Élio Rusch (PFL). ''Com tantos rompimentos de contratos o passivo que este governo vai deixar para o Estado será enorme'', completou. O presidente da CCJ, deputado Durval Amaral (PFL), criticou o fato de o plenário ser transformado em comissão geral para analisar as emendas ao projeto da venda. ''É um desrespeito à CCJ'', disparou. O governo tem pressa na aprovação da compra por causa do preço do dólar e também para acabar com a pendência judicial, que está suspensa por enquanto.
As três emendas ao projeto foram apresentadas pelo deputado Reni Pereira (PSB) e pela bancada de oposição. A primeira pede que a UEGA, que receberá investimentos de R$ 50 milhões do Estado depois da compra para que se possa corrigir o defeitos e para que seja transformada em bicombustível gás e óleo diesel , seja modificada para álcool no lugar do gás. ''O gás é muito caro e o álcool nós produzimos no Paraná'', justificou Pereira. A segunda emenda prevê que a venda só seja efetivada depois que a El Paso retirar oficialmente a ação que move contra Copel na Câmara Arbitral de Paris. Já a terceira faz uma correção técnica no texto da lei. O líder do governo na Casa, deputado Dobrandino da Silva (PMDB), prometeu derrubar as emendas no plenário hoje.

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