Assembléia autoriza a encampação das praças
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quarta-feira, 25 de junho de 2003
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governo do Estado está autorizado a assumir a administração das praças de pedágio no Paraná. A Assembléia Legislativa terminou de aprovar ontem as seis mensagens que autorizam a encampação das 26 praças. Com 44 votos favoráveis, a base aliada deu ao governo o aval necessário. Cinco deputados da oposição se abstiveram de votar, por serem contrários à encampação sem uma previsão de indenização às empresas.
Apesar da aprovação das mensagens com larga vantagem e sem alterações no original , a base governista sofreu um considerável desgaste na tarde de ontem. A oposição preparou uma ''armadilha''. Foram apresentadas três emendas que previam, junto com a encampação, o fim da cobrança do pedágio. A oposição pediu votação nominal para as emendas, ou seja, cada um dos 54 deputados teve que declarar, no microfone do plenário, qual seria seu voto. Essa manobra da oposição fez com que 41 deputados da base governista, ao rejeitarem as emendas, votassem por tabela contra o final da cobrança. Apenas oito deputados votaram a favor das emendas: Elio Rusch (PFL), Barbosa Neto (PDT), Luciano Ducci (PSB), Durval Amaral (PFL), Fernando Ribas Carli (PP), Luiz Carlos Martins (PSL), Plauto Miró Guimarães (PFL) e Valdir Rossoni (PSDB). Quatro estavam ausentes: o presidente Hermas Brandão, do PSDB, que só vota em caso de desempate; Rafael Greca (PMDB), Ademar Traiano (PSDB) e Nelson Justus (PFL).
A oposição fez questão de frisar que suas emendas propunham o ''extermínio'' do pedágio. Os governistas, por sua vez, argumentam que o importante é dar respaldo ao governo, para que o poder público passe a administrar as 26 praças e decida quando for mais apropriado reduzir as tarifas. André Vargas (PT), presidente da CPI do Pedágio, votou com a bancada mas, pessoalmente, tem visão diferente. Vargas defende um entendimento com as concessionárias.
O clima no plenário foi bastante tenso. Antes do início da votação, Plauto Miró subiu na tribuna e disse que o PMDB, partido do governador Roberto Requião, estaria por trás das invasões às praças do pedágio. Antonio Anibelli, líder do PMDB na Casa, defendeu a legenda e rebateu, com ironia: ''Parece que o deputado Plauto é o defensor das concessionárias'', disse. Vanhoni completou dizendo que pefelista estava ''forçando a barra''.
As discussões e troca de farpas entre situação e oposição duraram três horas e meia. Ao final da votação, que terminou por volta das 18 horas, Angelo Vanhoni disse que as negociações com as concessionárias continuam. O Palácio Iguaçu não tem um cronograma definido que quando vai concretizar a encampação. Nas mensagens que a Assembléia aprovou ontem, o governo afirma que, de tudo o que se arrecada com o pedágio, apenas 40% é revertido, em média, para a execução do serviço público. Esse percentual faz parte de estudos preliminares do Departamento de Estradas de Rodagem (DER).


