Assembléia apura saída da Ford
Agência Folha
A Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul instalou a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Pólo Automotivo, cujo propósito é apurar as razões que levaram a Ford a deixar de construir uma unidade em Guaíba (região metropolitana de Porto Alegre). A primeira sessão da CPI da Ford, como vem sendo chamada informalmente, ocorreu na semana passada e já colocou em choque os deputados da situação e da oposição.
O deputado Carlos Eduardo Vieira da Cunha (PDT), governista, tentou impedir a participação do deputado Cézar Busatto (PMDB) como titular da CPI. Cunha alegou que Busatto, ex-secretário da Fazenda, no governo Antônio Britto (PMDB), assinou o contrato com a Ford, junto com outras autoridades, e não poderia, agora, investigar o caso. O presidente da Assembléia, Paulo Odone Ribeiro (PMDB), não aceitou os argumentos de Cunha e manteve Busatto. Cunha deve recorrer à Comissão de Constituição e Justiça do Legislativo.
A Ford se retirou do Estado, no final de abril, depois que o governo Olívio Dutra (PT) propôs uma renegociação do contrato a fim de reduzir os valores que seriam repassados. A companhia recebeu no ano passado R$ 42 milhões, usados na terraplenagem do terreno de mais de 900 hectares onde seria construída a unidade da montadora.
Pelo contrato assinado em março do ano passado, a Ford ainda tinha a receber R$ 418 milhões de recursos públicos para capital de giro e execução de obras de infra-estrutura. A instalação de fábricas mediante oferecimento de incentivos fiscais e empréstimos públicos foi um dos principais temas da acirrada campanha eleitoral gaúcha do ano passado -que foi decidida no corpo-a-corpo antes do segundo turno.





