A Assembléia Legislativa aprovou ontem à tarde em primeira discussão, por 33 a 13 votos, a mensagem que autoriza o governo a se desfazer de todas as suas ações na Companhia de Energia do Paraná (Copel). Hoje, os deputados podem apresentar emendas ao projeto que prepara a companhia para sua privatização. Eles não podem, no entanto, alterar o corpo da mensagem, para não inviabilizar o empréstimo-ponte de R$ 1,2 bilhão requerido pelo governo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ter fôlego para pagar o 13º e ter dinheiro em caixa para o Fundo de Previdência. O presidente da Copel, Ingo Hubert, explica os detalhes do projeto aos deputados de oposição logo mais, às 10 horas.
Ele foi convocado pelo presidente da Casa, Aníbal Khury (PFL), e pelo líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), na última hora. A base governista preferiu trazer Ingo Hubert a plenário para proteger a imagem política do governo Jaime Lerner (PFL), que é acusado de exigir dos aliados uma aprovação da mensagem a toque de caixa. Khury anunciou ainda que a votação da mensagem só estará oficialmente concluída na sexta-feira, com a redação final. O cronograma do deputado poderá ser antecipado. A base governista conseguiu aprovar um requerimento que transforma a sessão de hoje em comissão geral. Quando acontece isso, pelo Regimento Interno, as emendas não precisam voltar para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Cinco mudanças propostas pelos governistas devem ser incorporadas hoje. Dentre elas, a destinação de 70% do valor apurado com a venda das ações para o Fundo e os outros 30% pulverizados na geração de empregos, previdência, obras, saúde e educação; a fixação de um percentual mínimo de ações com deságio que poderão ser adquiridas por funcionários da Copel; e a garantia de que as companhias desmembradas (distribuição, geração e transmissão) terão sede no Paraná. Os governistas querem ainda que os novos controladores das ações assumam a Fundação Copel e assegurem a representatividade dos funcionários no Conselho de Administração. A oposição quer, entre outras coisas, a criação da Paranaenergia, uma agência de controle, e a limitação no número de ações a serem comercializadas com o BNDES.
A tramitação da mensagem na CCJ foi tumultuada. Deputados de oposição e situação bateram boca entre si. O presidente da Comissão, Joel Coimbra (PTB), forçou a votação, depois dos bombardeios da oposição. Coimbra trocou ofensas com Florisvaldo Rosinha Fier (PT) e até com Augustinho Zuchy (PPB). Em Zuchy, o presidente da CCJ deu um cala-boca. ‘‘O senhor fica quieto a풒, gritou ele. ‘‘Me respeite. Eu me reelegi e o senhor não está sabendo conduzir a votação’’, devolveu Zuchy. A discussão com Rosinha também agitou a reunião. Rosinha acusou Coimbra de autoritarismo. ‘‘O Médice (presidente do Brasil durante o regime militar) está com inveja do senhor. Os eleitores fizeram muito bem em não votar no senhor’’, atirou o deputado do PT.
Uma troca de acusações entre o líder do PMDB, Orlando Pessuti, e o líder do governo, Valdir Rossoni, foi o momento mais tenso da reunião da CCJ. Rossoni disse que o governo só está vendendo a Copel para cobrir um rombo deixado pelo governo anterior, do hoje senador Roberto Requião. ‘‘Quem quebrou o Paraná não foi o PMDB. Nos três primeiros anos do governo Lerner, a dívida do Estado quase triplicou em relação ao governo do PMDB, aumentando em mais de R$ 2 bilhões’’, acusou. Pessuti disse ainda que até o final do governo, a dívida pode chegar a R$ 8 bilhões. Rossoni encerrou o bate-boca com Pessuti e depois da reunião da CCJ foi conversar com o presidente da Casa, Aníbal Khury. Foi na conversa entre os dois que surgiu a idéia de chamar Ingo Hubert para explicar a urgência da mensagem e acalmar a oposição.

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